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O conceito de originalidade me parece um tanto distorcido na atualidade, funcionando quase como um selo de qualidade. É como se algo, por ser original, tivesse um valor simplesmente por isso. Vejo essa situação como um ví­cio de uma sociedade sedenta por inovações.

O que mais me toca como artista é uma leitura dialética da palavra original, não só o que dá origem, mas o que nos leva a origem.

Na verdade sabemos que na arte não se cria nada realmente novo. O máximo que conseguimos é um novo arranjo de elementos antigos. Mas realmente, algumas vezes, esses novos arranjos criam espetáculos sem precedentes, inusitados, mas nem sempre bons ou necessários. Existem idéias tão estúpidas que ninguém, antes de um imbecil original, cogitou colocá-las em prática.


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