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	<title>Blog do P??</title>
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	<description>Blog do grupo Teatro do P??</description>
	<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 15:34:34 +0000</pubDate>
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		<title>Entrevista com a Cia. Truks - Teatro de Bonecos</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/09/13/entrevista-com-a-cia-truks-teatro-de-bonecos/</link>
		<comments>http://blog.teatrodope.com.br/2007/09/13/entrevista-com-a-cia-truks-teatro-de-bonecos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Sep 2007 19:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Amigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
No dia 19/07 a Cia. Truks apresentou o espet??culo Big Bang dentro da Mostra de Coletivos Teatrais do Sesc-Santos. Ap??s a apresenta????o o Blog conversou com Ver??nica Gerchman e Henrique Sitchin e falam entre outras coisas em como j?? foram duramente criticados por divulgarem seu trabalho em programas de televis??o.
Teatro do P?? - Voc??s fazem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" width="430" src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_mostra_sesc.jpg" height="57" /></p>
<p>No dia 19/07 a <a target="_blank" href="http://www.truks.com.br/">Cia. Truks</a> apresentou o espet??culo Big Bang dentro da Mostra de Coletivos Teatrais do Sesc-Santos. Ap??s a apresenta????o o Blog conversou com Ver??nica Gerchman e Henrique Sitchin e falam entre outras coisas em como j?? foram duramente criticados por divulgarem seu trabalho em programas de televis??o.</p>
<p><strong>Teatro do P?? - Voc??s fazem teatro de bonecos ou de anima????o?</strong></p>
<p><strong>Ver??nica Gewrchman</strong> - ?? uma boa pergunta! O termo mais adequado pra esse universo ?? o termo teatro de anima????o. Pois anima????o vem da raiz da palavra Anima que significa dar vida a qualquer coisa que seja inanimada. Ent??o quando a gente fala teatro de bonecos a gente fecha numa id??ia, por que ?? uma linguagem dentro do teatro de anima????o. Por exemplo, aqui naquela cena dos sacos, do homem moderno, voc?? est?? animando sacos pl??sticos e dando toda uma conota????o com isso. Ent??o o mais correto, mais adequado, o termo mais abrangente ?? o teatro de anima????o. Apesar de todo o mundo conhecer como teatro de bonecos.</p>
<p><strong>P?? - Ent??o o teatro de bonecos est?? inserido dentro do universo de anima????o?</strong></p>
<p>Ver??nica - ??! Uma das linguagens, por exemplo, voc?? tem teatro de bonecos, voc?? tem sombras, tem o teatro negro que ?? aquele todo feito com luz negra. S??o v??rias linguagens dentro do pr??prio teatro de anima????o.</p>
<p><strong>Henrique Sitchin</strong> - Por que se formos dar nomes, teremos diversas nomenclaturas, n??? Teatro de objeto, de manipula????o direta, de bonecos de luvas, de sombras, e etc. Ent??o a mais completa ?? teatro de anima????o.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s existem desde 1990. E s??o 17 anos atuando no cen??rio do teatro de anima????o. Como era esse teatro h?? 17 anos atr??s? E como ele est?? hoje? Em todas as suas perspectivas.<br />
</strong></p>
<p><strong>Ver??nica </strong>- Eu acho que teve um ganho muito grande! O teatro, conhecido mais como teatro de bonecos, era muito mal visto h?? alguns anos atr??s. A gente dizia que era a mosquinha do coco do cavalo do bandido. Porque era assim, o pior do teatro infantil, que tamb??m ?? uma outra coisa equivocada, porque existem, como esse trabalho, que ?? voltado para uma turma mais velha. Adolescentes e adultos! Tem essa imagem de que o teatro de anima????o ?? sempre voltado pra crian??a, e h?? alguns anos era considerado o pior do teatro infantil. Eu acho que houve um crescimento muito grande de produ????es no pa??s, que foram fundamentais para elevar o n??vel do trabalho no teatro de anima????o. E a?? eu acho que a Truks contribuiu sim, por que ?? um grupo que j?? trabalha muito s??rio, h?? muito tempo com isso. E tamb??m festivais internacionais que vieram para o Brasil voltados para essa linguagem, e que fizeram um papel muito importante de divulga????o. Inclusive o Sesc foi um dos grandes incentivadores, em S??o Paulo, no Sesc Ipiranga e Pomp??ia, que sediaram por um tempo esse festival internacional, e fomentaram essa linguagem. Porque voc?? vai criando tamb??m o h??bito, e quando voc?? faz um internacional, voc?? junta as produ????es do Brasil, do pa??s, e as produ????es de fora. Ent??o, voc?? estimula! Eu acho que faz com que os grupos se trabalhem melhor e o p??blico tamb??m crie um outro olhar. Ent??o assim, nesses ??ltimos, eu diria que de 10 a 15 anos pra c??, houve uma grande diferen??a. Houve um crescimento do teatro de anima????o. E ent??o come??ou a acontecer o contr??rio, da mosca do coco do cavalo do bandido, passou a ser uma coisa que chamava muita aten????o, a ponto de produ????es que n??o utilizavam essa linguagem, quererem at?? colocar um bonequinho para dizer que era teatro de anima????o. Por que o teatro de anima????o passou a significar uma qualidade na produ????o. Ent??o houve um longo processo de melhora e de crescimento nesse sentido.</p>
<p><strong>Henrique </strong>- ??! Eu acho que o cen??rio do teatro, como um todo, era o de fazer teatro. Ent??o voc?? tinha o teatro de pesquisa, que era valorizado pela classe art??stica mais refinada, o teatro comercial, e o teatro infantil que era pouco valorizado. O teatro de bonecos era pior do que o teatro infantil, pois era o teatro de festa de anivers??rio. Era o famoso teatrinho! Isso no Brasil! Enquanto l?? fora voc?? tinha grandes produ????es do teatro de anima????o para adultos. Ent??o de alguns anos pra c??, isso foi crescendo, foi se modificando, at?? pela pr??pria procura do p??blico. E a qualidade das produ????es ?? muito melhor, porque se faz teatro de bonecos em grupos, e quando se trabalho em grupo voc?? tem um resultado muito melhor. Tanto ?? que se voc?? pega o cen??rio do teatro brasileiro, voc?? v?? que os grupos de teatro s??o mais resistentes.</p>
<p><strong>Ver??nica </strong>- S??o mais fortes por que come??am a desenvolver uma linguagem, uma fala, um jeito, n???</p>
<p><strong>P?? - Voc??s acham que essa linguagem ?? mais compat??vel com outras m??dias mais costumeiras? Dialoga de forma mais eficaz com Internet e com tudo o que ?? visual? At?? mais do que o teatro convencional?</strong><br />
<span id="more-108"></span><br />
<strong>Ver??nica </strong>- ??! Tem uma fala muito forte com a imagem.</p>
<p><strong>Henrique </strong>- At?? mesmo por que ?? teatro de anima????o, n??o ??? Se voc?? pegar desenho animado, o que o desenho animado tem de diferente do filme, ?? justamente isso??? Voc?? pega um desenho do Pica-Pau, voc?? v?? que ele cai, se espatifa no ch??o. E a gente estuda muito desenho animado. ?? muito isso, voc?? pode com o boneco arrancar as pernas, o bra??o, a cabe??a e nada vai acontecer com ele??? O que voc?? n??o pode fazer com um ator, voc?? faz com ele.</p>
<p><strong>P?? </strong>- No meio teatral, principalmente nos trabalhos de grupo de teatro, sem ser de anima????o, eles ??s vezes se auto-restringem, principalmente por causo de filosofia de trabalho??? E eu vejo que voc??s fazem teatro, recebem fomento, fazem propaganda, voc??s n??o tem essa??? Ou seja, voc??s fazem trabalhos art??sticos e tamb??m comerciais. H?? uma flexibilidade! Como voc??s encaram isso?<br />
<strong><br />
Ver??nica </strong>??? Olha. Muita gente at?? j?? nos criticou. Acho que tem uma coisa at?? meio preconceituosa. Acho que quando agente faz a nossa cria????o, n??o entra a quest??o comercial nunca. A n??o ser como agente fez agora a propaganda dos Jogos Pan Americanos 2007. A gente foi contratado para executar uma coisa. ?? muito claro que aquele trabalho ?? comercial! Mas ai tamb??m tem outro ponto, que tamb??m ?? uma discuss??o. Uma companhia para ela se manter durante 17 anos, ela tem que trabalhar muito, num pa??s como o nosso. Ent??o, por exemplo, durante a cria????o agente tem uma rela????o muito sagrada com o trabalho. ?? a nossa linguagem, aquilo que agente quer falar, ponto. Depois que aquilo vira um produto cultural que tem que ser vendido, ele vai ser vendido. E tem uma rela????o muito clara do que ?? um produto a ser vendido e a ser consumido. Ent??o assim, ?? uma coisa que ??s vezes as pessoas ficam um pouco chocadas quando agente fala isso. Eu acho que ainda tem inconscientemente aquele pensamento: O artista puro ?? aquele que morre de fome, pois sen??o ele ?? um vendido porque foi pra Globo. Quer dizer, n??o afirmam isso, mas no fundo no fundo, assim, se ele ganha dinheiro todo o mundo come??a a dizer que esse cara ?? comercial, ?? vendido. Se vendeu! E eu acho que ?? um pensamento preconceituoso, por que ?? digno que o artista consiga pagar suas contas, que possa comprar o livro que ele quiser, que possa assistir quantas pe??as quiser, que possa viajar e estudar o que quiser, e at?? mesmo ter um certo grau de conforto, por que n??o? Ent??o eu acho que ainda tem muito esse preconceito. E a Truks sabe muito claramente. A gente vai muito ?? TV quando estamos em cartaz com pe??a. E quando a gente come??ou a ir para a televis??o para divulgar, a gente foi super malhado, por que agente ia em programa da Xuxa, no J??, Faust??o e etc??? S?? que a gente fazia tr??s sess??es lotadas em S??o Paulo, seguidas, no Centro Cultural S??o Paulo. Inclusive dava rebarba para os grupos que estavam do lado! E a gente fala, isso ?? assumido! ?? no intuito de pegar o p??blico na casa dele. ?? usar esse meio, de forma muito consciente, para levar o p??blico ao teatro. Para quem, al??m de agente poder levar a arte para as pessoas, tamb??m para que essas pessoas que ralam pra caramba no teatro possam se sustentar, e possam viver dignamente desse trabalho.</p>
<p><strong>P?? - Eu acho que existe um dinamismo que tem que ser percebido<br />
</strong><br />
<strong>Ver??nica</strong> - A gente n??o percebe mas a nossa classe, a classe teatral, ?? muito preconceituosa.</p>
<p><strong>P?? </strong>- Com certeza.</p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - Muito. ?? preconceituosa com teatro infantil, ah, o ator s?? ?? s??rio se faz um adulto. Quem disse? Crian??a ?? dif??cil pra caramba pra segurar na cadeira. ?? um publico dif??cil pra caramba.<br />
<strong><br />
Henrique</strong> - E detalhe que a ente, por exemplo, nossos espet??culos infantis s??o feitos pensando no adulto.</p>
<p><strong>Ver??nica </strong>- A gente pensa pra toda a fam??lia, na verdade.</p>
<p><strong>Henrique</strong> - Quando a gente monta um espet??culo infantil a gente pensa no adulto. Porque assim, um pai n??o leva uma crian??a pra ver um espet??culo, se ele n??o tiver bem, se ele n??o tiver gostando do espet??culo, n??o ?? um bom espet??culo.</p>
<p><strong>P?? - Espet??culo pra crian??a ?? isso, n??? Tem que ter sempre o lugar o duplo, a crian??a vai sentar do lado do adulto.</strong><br />
<strong><br />
Henrique</strong> - Eu acho que n??o tem esse termo: ???Teatro infantil???. Acho que seria teatro para crian??a. Se voc?? faz um espet??culo de teatro aonde voc?? atinge tanto o adulto e que a crian??a pode assistir que ela vai entender, n??? Agora se voc?? tem alguma coisa no teu espet??culo que n??o ?? adequado para crian??a ent??o voc?? coloca ali a faixa et??ria. Isso eu acho perfeito.<br />
<strong><br />
Ver??nica</strong> - Por exemplo, nesse trabalho a gente teve essa preocupa????o, tem coisas que s??o mais, ??? a dramaturgia ela ??,??? a gente trabalha com muita imagem disparadora, pra crian??a isso ?? um pouco complicado acompanhar. A gente sente que ali no meio s??o imagens po??ticas que pra eles ?? dif??cil entender porque a dramaturgia n??o ta pensada pra essa faixa et??ria.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s trabalham com diversas t??cnicas de manipula????o, e voc??s destacam o BUNRAKU. Qual a origem da t??cnica e em que ela consiste?</strong></p>
<p><strong>Henrique</strong> - A gente trabalha inspirado nessa t??cnica.</p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - A gente fala que ?? inspirado porque seria uma heresia dizer que ?? o Bunraku tradicional, porque a estrutura do Bunraku tradicional s??o grandes epop??ias que eles contam, eles t??m uma rela????o religiosa com o trabalho praticamente, como todo o oriental. Os aprendizes entram aos 13 anos de idade, come??am observando, passa um temp??o, depois v??o para os p??, passa um temp??o, v??o pra cabe??a, passa um temp??o, pra depois passar pra m??o, passa um temp??o, a?? at?? virar mestre, ent??o assim, n??o ?? essa rela????o aqui, ??bvio. Fora que tem o contador de hist??ria e o m??sico. Ent??o tem todo um ritual que gente n??o faz. Ele ?? inspirado porque ?? uma manipula????o de 3 pessoas, tamb??m muito conhecida como manipula????o direta, porque voc?? segura diretamente no boneco.</p>
<p><strong>P?? </strong>??? Tem uns que mechem os olhos.</p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - ??, tem umas varia????es dependendo da posi????o, por exemplo, os japoneses eles controlam a cabe??a, a empunhadura n??o ?? pra tr??s, o mestre enfia a m??o dentro, inclusive tem um mecanismo de olho, o diabo sai at?? chifre, tem umas figuras diab??licas que sai at?? chifre.</p>
<p><strong>Henrique</strong> - Eles n??o trabalham em mesa, ele trabalham no ar.</p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - E o manipulador de m??os, ele manipula uma m??o s??, e o mestre, ele manipula a cabe??a e a outra m??o, entendeu? Aqui n??o. Quem controla a cabe??a, controla cabe??a e tronco.<br />
<strong><br />
Henrique</strong> - O mestre usa um tamanco alt??ssimo. Ele ?? bem mais alto que os outros.</p>
<p>Ver??nica - Ele usa um quimono super colorido e a cara neutra total, e os outros de preto com um capuz preto.</p>
<p><strong>P?? - E l?? tem essa abertura de manipulador ser personagem?<br />
</strong><br />
<strong>Ver??nica</strong> - Contracenar? N??o. No tradicional n??o. E na verdade, esse ponto ?? um ponto pol??mico na Truks. Tem gente que gosta muito e tem gente que n??o gosta. Porque a gente no come??o pensou em fazer uma coisa muito neutra, s?? que a gente chamava muito mais aten????o. E isso nasceu naturalmente no nosso primeiro espet??culo.</p>
<p><strong>P?? - Como ?? que voc??s constroem o espet??culo? Em que momento voc??s definem a tem??tica? Como ?? que voc??s trabalham e quanto tempo dura?</strong></p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - Geralmente alguma imagem que dispara esses espet??culos. O Henrique, que ?? o nosso diretor, geralmente faz todos os roteiros. S?? que o roteiro passa por duas etapas. Tem ??s vezes uma explos??o de id??ias, e ele organiza, ou ??s vezes ele vem com uma linha condutora e a gente interfere. Porque tamb??m tem processos, num primeiro momento de um roteiro a gente sempre parte do roteiro, pra constru????o dos bonecos, pra tudo, a gente nunca fez um boneco incr??vel e inventou uma hist??ria pra ele.</p>
<p><strong>P?? - E os processo duram assim em m??dia quanto tempo?<br />
</strong><br />
<strong>Ver??nica</strong> - Olha, depende da necessidade. O primeiro espet??culo da companhia quando a gente n??o dominava bem a t??cnica, tava aprendendo tudo, levou um ano, um ano e pouquinho pra ser feito. Hoje a gente consegue fazer em 5, 6 meses.</p>
<p><strong>Henrique </strong>- ??, mas ?? relativo, porque assim, se a gente for contar o tempo exato. Acontece muito assim, por exemplo a gente est?? trabalhando e o Henrique est?? vendo o espet??culo, tal, de repente ele chega um dia e fala assim: gente, olha, pensei numa historia assim, entendeu? E ele come??a a formatar isso, e um ano depois ele chega e fala assim: eu tenho um roteiro mais ou menos, entendeu? Ele n??o tem o roteiro pronto, e gente come??a a trabalhar. Ent??o se a gente for pensar da id??ia, demora muito tempo. Agora depois que a id??ia est?? no papel, depois que a gente tem a parte de constru????o, de produ????o mesmo, a?? ?? super r??pido.</p>
<p><strong>Ver??nica</strong> - Agora, pra gente ?? fundamental, assim, acho que todas as montagens que a gente fez na companhia, sempre foi em cima do tema algo que tocasse a gente. Essa coisa que eu acho que ?? o barato de trabalhar em grupo.</p>
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		<title>Com a licen??a da po??tica, eu sou mais Hitler!</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/30/com-a-licenca-da-poetica-eu-sou-mais-hitler/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 18:56:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cr????ticas]]></category>

		<category><![CDATA[Cr??nicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Hitler tinha dignidade. Aquele que ?? considerado o mais desumano dos desumanos, o mais cruel e psic??tico, o auge do bestial, da total desatino amoral. Justamente por causa de sua vileza, de sua ???miss??o??? desajustada, de sua grandiloq????ncia, resguardava uma dignidade.
Mas onde poderia existir, uma m??nima migalha, uma fagulha de dignidade no empreendimento de Adolf [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hitler tinha dignidade. Aquele que ?? considerado o mais desumano dos desumanos, o mais cruel e psic??tico, o auge do bestial, da total desatino amoral. Justamente por causa de sua vileza, de sua ???miss??o??? desajustada, de sua grandiloq????ncia, resguardava uma dignidade.</p>
<p>Mas onde poderia existir, uma m??nima migalha, uma fagulha de dignidade no empreendimento de Adolf Hitler?. Simples. O fato, de esse empreendimento ser um projeto, ser um plano, ser uma arquitetura. Uma arquitetura diab??lica, mas era uma arquitetura. Para esse hediondo projeto ser executado foi necess??rio equipar ex??rcitos, dar a esse ex??rcito um s??mbolo, a su??stica poderosa, que por si s?? j?? simbolizava o poder que se auto-concedia, a babaquice ariana. Era necess??rio a constru????o de fortes, de escrit??rios de intelig??ncia. Era necess??rio pagar sal??rios. Conquistar territ??rios. Era tudo vis??vel. Tragicamente vis??vel. Mas era vis??vel.</p>
<p>A dignidade estava a??. Na visibilidade. De ter um ideal, totalmente aberrante, mas ainda assim um ideal. Assumir esse ideal perante o mundo. Se posicionar com esse ideal perante o mundo. E a?? sim. Poder atacar e o mais importante: poder ser atacado. Estar minimamente exposto, ao inimigo, que tinha condi????es de tra??ar um contra-plano. Uma estrat??gia que visasse desmantelar todo esse disparate.</p>
<p>A ??ltima do anedot??rio do car??ter nacional ?? o de se utilizar de informa????es privilegiadas para conseguir empr??stimos ilegais em nome de aposentados. Empr??stimos descontados na folha. Quando a v??tima se da conta, j?? era. Ter?? de enfrentar um via crucis pela eficiente justi??a nacional para tentar conseguir mostrar que nunca pediu um m??sero empr??stimo consignado.<br />
<span id="more-106"></span><br />
Quem comete esse delito? ?? algu??m armado? ?? algu??m vestido com uma farda assustadora? ?? algu??m que justifica seus atos com uma ideologia estaparf??dia? N??o. ?? algu??m que est?? no meio do SISTEMA, em algum lugar, inc??gnito, blindado pelas in??meras veias da nossa est??pida burocracia. Essas pessoas s??o aberra????es? S??o bestiais? S??o hediondos? N??o! S??o med??ocres. S??o pessoas que gozam em se expor ?? vizinhos de condom??nios e de bairros que conseguiram comprar um carro do ano. Que conseguem jantar fora uma vez por semana. Que viajam para o exterior uma vez por ano. ?? s?? para isso. Elas n??o querem dominar o mundo. Elas n??o querem purificar a ra??a, elas n??o t??m nenhum projeto contundente. Elas s??o trai??oeiras. Elas freq??entam igrejas, compram presentes para sobrinhos no anivers??rio e no natal. Pagam a conta de luz em dia, pegam t??xi, v??o ao cabeleireiro e ainda comentam. - Esse pa??s nunca vai dar certo.</p>
<p>O que me entristece ?? ter ci??ncia que elas n??o s??o exce????es. S??o mais a regra. ?? o nosso tra??o mais patri??tico. A ratoeirice. A vantagem pequena. A vantagem de curt??ssimo prazo. Por que n??o temos vis??o. N??o sabemos o que ?? o futuro e nem aonde ele possa estar. O brasileiro ?? f?? do sucesso conquistado ao acaso. Adoramos hist??rias aonde o modelo ?? descoberto tomando um drinque na praia. Odiamos hist??rias de engenheiros brasileiros que presidem multinacionais l?? no exterior, por que eles se esfor??aram, isso n??o ?? rom??ntico. N??o tem o dedo da sorte. ?? sem emo????o.</p>
<p>Preferimos aqueles que ganham na loteria. Que herdam fortunas. Que vivem de renda. Que nos transmitem um ideal de felicidade sem conter esfor??o, estrat??gia. E ainda chamamos isso de brasilidade, de latinidade, de um tra??o cultural. E me desculpem isso n??o ?? tra??o cultural. Isso ?? uma doen??a. Isso ?? uma psicopatia social. Somos um conjunto de pessoas t??o adoradoras do fracasso que n??o projetamos o sucesso. Precisamos, necessitamos de todas as nossas mazelas, para poder rechear nossas conversas com cabeleireiros e taxistas. Precisamos acreditar que os pol??ticos s??o a excresc??ncia de nossa ???comunidade??? pueril e batalhadora. Mentira. Eles s??o o nosso imenso espelho. Dessa forma insensata, descompromissada e displicente com o qual existimos h?? s??culos. Jogando uma batata quente moral, j?? fomos imp??rio, j?? fomos ditadura, somos rep??blica, e muita coisa mudou. Muita coisa para melhor. Mas ainda n??o conseguimos barrar esse nosso inimigo sem face e perene. Que produz um holocausto por d??cada. De mortes e mais mortes conseq??entes, daquele pequeno e irris??rio desvio. ?? assim. N??o me venha ningu??m dizer que n??o.</p>
<p>Amar n??o ?? ser complacente, eu amo o Brasil e por isso n??o sou complacente. Temos um desvio de car??ter, eu n??o sei como corrigir isso. Vou continuar investigando. Quando achar uma resposta eu garanto que aviso. Isso tudo o que eu falei ?? exagerado, mas mais exagerada ?? a quantidade de mortes nas estradas do Estado de S??o Paulo durante o feriado de julho, aproximadamente 800 pessoas, ou para ser mais exato, quatro, eu disse, quatro acidentes do avi??o da TAM. Adolf Hitler? Era aquele cara de bigodinho rid??culo. O nosso inimigo? N??o sei como ele ?? e n??o tem como saber.</p>
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		<title>Entrevista com a Fraternal Cia. de Artes e Malasartes</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/29/entrevista-com-a-fraternal-cia-de-artes-e-malasartes/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Aug 2007 20:29:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura Popular]]></category>

		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<category><![CDATA[Espet?culos]]></category>

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		<category><![CDATA[Teatro do P?]]></category>

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		<description><![CDATA[
Comunico aos nossos leitores que o conte??do dessa entrevista tem um valor inestim??vel e atemporal. Inestim??vel por revelar a riqueza ao mesmo tempo conceitual/formal e din??mica do trabalho da Fraternal Cia. de Artes e Malasartes e atemporal por que pode e deve ser lida a qualquer tempo sobre qualquer ??poca e dessa forma minimiza a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" width="430" src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_mostra_sesc.jpg" height="57" /></p>
<p>Comunico aos nossos leitores que o conte??do dessa entrevista tem um valor inestim??vel e atemporal. Inestim??vel por revelar a riqueza ao mesmo tempo conceitual/formal e din??mica do trabalho da Fraternal Cia. de Artes e Malasartes e atemporal por que pode e deve ser lida a qualquer tempo sobre qualquer ??poca e dessa forma minimiza a nossa lentid??o em publicar essa entrevista que foi realizada no dia 20/07 durante a Mostra Sesc de Coletivos Teatrais</p>
<p>Entrevistados:</p>
<p>Ednaldo Freire ??? Diretor;</p>
<p>Lu??s Alberto de Abreu - Dramaturgo</p>
<p>Aiman Hammond - Ator</p>
<p>Mirtes Nogueira - Atriz</p>
<p>Edgar Campos - Ator</p>
<p><strong>Teatro do P?? ??? Por que esse nome de Fraternal Cia. de Artes e Malasartes?<br />
Ednaldo -</strong>O nome Fraternal ?? uma homenagem ??s antigas organiza????es de Commedia Del Arte que chamavam-se Fraternais Companhias. Ent??o a gente achou que tinha muito a ver, na ocasi??o em que est??vamos criando o projeto de com??dia popular brasileira. E a id??ia da Fraternal ?? essa id??ia mesmo de grupo, essa id??ia de fazer as coisas coletivamente.</p>
<p><strong>P?? - O que ?? a Fraternal artisticamente? O que ela faz?<br />
Ednaldo -</strong> ?? uma Cia. de pesquisa de teatro, de prefer??ncia com??dia popular brasileira. Mas ?? um grupo tamb??m curioso que n??o sabe de nada ainda, e que est?? procurando correr atr??s de uma po??tica brasileira. A gente nunca est?? satisfeito, est?? sempre inquieto. E, temos uma trajet??ria de 12 anos, com um repert??rio fant??stico; e o repert??rio reflete de certas maneiras essas inquieta????es nossas.</p>
<p><strong>P?? - De onde vem esse interesse pela com??dia popular brasileira?<br />
Abreu -</strong> Eu e o Ednaldo temos uma hist??ria muito antiga, j?? como amador ainda. E o Ednaldo sempre teve um vi??s para o teatro c??mico, e acho que tem um pouco a ver at?? com a nossa pr??pria hist??ria. Uma hist??ria de periferia, de imigrante, de cultura popular, n??? E numa certa altura da vida, a gente se juntou para come??ar a desenvolver esse trabalho de pesquisa mesmo. Um pouco, relatar a vis??o cultural e art??stica da nossa pr??pria forma????o. E foi um pouco por ai&#8230; E a partir da?? a gente come??ou a estabelecer um projeto, esse projeto de pesquisa da cultura popular brasileira, mais especificamente, da com??dia teatral. E da?? que vem a nossa pesquisa.</p>
<p><strong>P?? - As pesquisas de cultura popular, geralmente, t??m pesquisa de folclore, de tradi????es, e tem uma s??rie de r??tulos e nomenclaturas, e voc??s t??m essa peculiaridade da com??dia popular brasileira. E eu confesso que nunca tinha visto uma pesquisa, seja art??stica ou acad??mica, como essa&#8230; Voc??s t??m alguma id??ia do grau de ineditismo da pesquisa de voc??s? Como ele se insere dentro do cen??rio art??stico?</strong><br />
<span id="more-105"></span><br />
<strong>Abreu - </strong>Ineditismo? N??o sei! O Suassuna j?? fez isso. O Gil Vicente j?? fez isso. Se h?? um ineditismo ai, pode ser primeiro pela op????o, a op????o por esse universo da cultura popular brasileira, segundo a da com??dia, e terceiro pela pesquisa continuada disso. Talvez isso seja in??dito.</p>
<p><strong>Ednaldo - </strong>Tamb??m tem um pensamento que eu acho interessante que diz o seguinte: ???Ser original n??o ?? criar coisas novas, ser original ?? buscar a origem e beber na fonte dessa origem, e recriar.???; E talvez o ineditismo nosso esteja na recria????o mesmo, nessa recria????o sempre constante. Ent??o, voc?? fala tradi????o, fala folclore, e isso nos cheira a mofo. N??s temos um reconhecimento nas formas dram??ticas, nas dan??as dram??ticas brasileiras. Mas n??s n??o temos um reconhecimento dentro dos focos de tradi????es, por que esses focos geralmente s??o reacion??rios. S??o aqueles que querem conservar a cultura dentro de uma geladeira. Engessar somente para a admira????o de vitrine. Enquanto que a cultura popular ela ?? din??mica, ela se transforma. Ent??o percebemos, por exemplo, que se existe o caboclinho, o caboclinho n??o ?? folclore por que ele ?? realimentado, e de repente um conjunto musical como Mestre Ambr??sio, por exemplo, pega e recria isso. Vai l?? o Alceu Valen??a e bebe nessa fonte tamb??m. Vem quinteto violado, e tamb??m&#8230; Ent??o ela ?? din??mica, ela est?? sempre sendo comida e regurgitada, no bom sentido oswaldiano mesmo.</p>
<p><strong>Abreu - </strong>Na verdade a gente n??o resgata a cultura popular brasileira, mas a gente dialoga com ela. Ela est?? ai, est?? forte, est?? viva!</p>
<p><strong>P?? - Voc??s tem um teatro de texto forte! Voc??s t??m um excelente dramaturgo no grupo e o processo ?? colaborativo. Como e que se d?? esse di??logo? Sen??o me engano foi o Labaque que escreveu que est?? cada vez ficando mais raro, um teatro galgado no texto. Tem muito o teatro galgado em imagens e o texto vem ali, sem querer. Voc??s tem um texto forte e dentro do contexto da encena????o.<br />
Aiman - </strong>??, ele ?? o ponto de partida dentro do projeto. Quando agente discute a id??ia, e ai discute absolutamente tudo, n??o s?? do tema, mas da id??ia e a forma de coloc??-la no palco, e como concretizar isso tudo, o ponto de partida ?? a dramaturgia. N??o tem sa??da! O teatro ?? texto e ator. Isso ?? fundamental no teatro. Ent??o se voc?? esqueceu um pouco isso no teatro, voc?? esqueceu a base do teatro.</p>
<p><strong>Abreu -</strong> Agora, eu n??o sei se eu concordo muito, n??o que ?? um grupo de texto forte. Acho que ?? um grupo onde h?? um empenho na busca por um texto forte, mas tamb??m ?? um grupo de encena????o forte, de interpreta????o forte! O que salta ?? vista, talvez, ?? que as outras companhias n??o t??m um dramaturgo residente, desde o princ??pio do grupo, trabalhando ali junto. Acho que essa ?? uma grande diferen??a! E ai, o texto aparece porque o dramaturgo est?? ali junto, n??o ???</p>
<p><strong>P?? - Quando eu digo texto forte, eu digo no seguinte contexto: Durante muito tempo tinha um texto e se encenava esse texto. A?? passamos por um processo de encenadores, muitos encenadores, e ai o texto vem, se vier, mas a rela????o ?? bem mais fr??gil. E voc??s t??m um processo equilibrado, com um texto forte, dentro desse contexto onde tem de tudo, mas ?? equilibrado e de processo colaborativo com uma assinatura.<br />
Aiman - </strong>?? sim! Por que o Ednaldo tamb??m como encenador, e essa pesquisa da com??dia que ele faz h?? muito tempo, ele tamb??m coloca a opini??o dele antes do Abreu desenvolver a dramaturgia. Porque ele pensa no p??blico que ele quer atingir, e o que ele quer dizer tamb??m. Ent??o ele tem a opini??o dele enquanto encenador. E muitas vezes quando o Abreu n??o pode acompanhar muito o processo, ele se surpreende tamb??m com a invers??o que o Ednaldo faz da obra dele.</p>
<p><strong>P?? - ?? a rela????o que a Commedia Del Arte tinha, n??o ??? Com a rela????o p??blico e companhia.<br />
Ednaldo - </strong>Existe um ditado ai que diz que as pessoas se aproximam pelas diferen??as. Eu acredito que as pessoas se aproximam pelas coincid??ncias, ou por aquelas mesmas coisas que elas curtem, que elas gostam e que ela v??o buscar. E isso d?? pra virar projeto! Eu n??o vou me juntar com algu??m que pensa muito diferente de mim, entendeu? Eu posso at?? me juntar, mas pra trabalhar fica muito dif??cil. Ent??o eu acho que a receita do grupo ?? essa, as pessoas v??o se juntando em busca de um projeto que ?? meio comum a todos, num determinado momento, em termos de pensamento, pelo menos, respeitando a especificidade de cada um. Ningu??m explica por que essas pessoas de repente acabam se encontrando. E o grupo ?? din??mico e vem se modificando nisso tudo tamb??m. Muitas pessoas j?? passaram pelo grupo! Pessoas fant??sticas, maravilhosas, que continuam amigos da gente, mas o grupo ?? essa coisa din??mica. De repente as pessoas v??m se identificando com o trabalho, em alguns aspectos, e v??m somando, n??o ???</p>
<p><strong>P?? - Voc??s trabalham com a quest??o do ator narrador, e acho que ?? fruto tamb??m da pesquisa com a cultura popular. Ent??o, uma pergunta pros atores. Como ?? que se d?? esse trabalho pra voc??s, e como foi a transi????o de um teatro de representa????o para um teatro de narra????o?<br />
Aiman - </strong>?? foi um pouco dif??cil! Por que agente vem de uma escola de representa????o. Stanislavski impera, n??o ??? Voc?? tem que sentir a dor daquele personagem e tudo mais. Eu sempre tive uma certa resist??ncia com rela????o ao processo narrativo. E eu sempre adorei muito a com??dia. E quando agente de repente se depara com um grupo que tem essa afinidade, a realiza????o passa a ser completa. Agora a dificuldade de voc?? transformar esse processo de representa????o nessa outra forma, ?? complicado, ?? um aprendizado. A gente toma na cabe??a sempre! Por que ?? dif??cil voc?? colocar em pr??tica, tudo aquilo que voc??, mesmo j?? vivendo, essa quest??o dessa tradi????o oral, voc?? aprender a colocar isso no palco. Mas ?? uma maravilha! Depois que voc?? come??a a dominar isso, voc?? ver que voc?? ?? poss??vel fazer um monte de coisas. Criar um ex??rcito sozinho! Ai voc?? come??a a perceber que o ator tem a possibilidade de dominar a plat??ia, e fazer exatamente o que ele quiser com a plat??ia. E ela vai, ela compra! Por que ela sabe que ela est?? indo l?? para ser enganada, que ?? um jogo e ela vai pra brincar. Ent??o ela aceita, e isso ?? legal!</p>
<p><strong>Mirtes -</strong> Tamb??m tem outra coisa que ?? assim&#8230; Quando voc?? trabalha muito tempo com um mesmo grupo, que voc?? tem o dramaturgo no grupo, mesmo o diretor, e um bom per??odo todas as pessoas juntas, atores. O dramaturgo, Abreu no caso, ele j?? vem estudando o narrativo e o ??pico j?? h?? muito tempo, mas no decorrer dos espet??culos ele foi dando uma crescente pra essa narrativa.</p>
<p><strong>Abreu -</strong> Fui experimentando, n??? Fomos juntos!</p>
<p><strong>Mirtes -</strong> Ent??o voc?? vai tamb??m aprendendo junto, fazendo, experimentando, errando, acertando. Tem gente que fala assim: ???Nossa! Como ?? dif??cil fazer essa narrativa que voc??s fazem.???. Mas tem todo um processo que voc?? vem, e pega um pouquinho, e na outra pe??a vem um pouquinho mais, numa outra ela ?? verticalizada, entendeu? Ent??o, ela teve um crescimento essa narrativa. E voc?? veio crescendo junto, aprendendo, passando por todos os desafios que a narrativa d??.</p>
<p><strong>Aiman -</strong> E quando voc?? faz um espet??culo, depois d?? um tempo, e volta com aquele espet??culo, voc?? tem um ganho naquela narrativa tamb??m. Isso o que ?? legal! Porque voc?? tem o aprendizado, a tua vida vai mudando, voc?? vai adquirindo outras experi??ncias que voc?? vai colocando tamb??m,vai alterando.</p>
<p><strong>Edgar -</strong> E o que me agrada bastante nessa coisa da narrativa, de ter o narrador e tal, ?? justamente essa variedade que voc?? d?? de fazer v??rios personagens, mas ele tem que ser muito preciso. Por que quando voc?? passa por ator narrador, ou personagem narrando, quer dizer, tem toda essa brincadeira que acontece com a narrativa quando voc?? est?? fazendo essas coisas, que te prepara pra qualquer outra coisa. At?? pra um espet??culo que tenha uma encena????o sem utilizar a narrativa. Ele te d?? um ganho, por que voc?? desenvolve uma precis??o que normalmente voc?? n??o teria. Voc?? precisa ser muito preciso nessas mudan??as de um pra outro, quer dizer&#8230; E isso ?? muito legal! Ele te d?? uma prontid??o que ?? interessante.</p>
<p><strong>P?? - Sobre o espet??culo! O que ?? o ???Auto da Paix??o e da Alegria????<br />
Ednaldo -</strong> O Auto ?? uma grande narrativa que une o sagrado e o profano, assim como une o melhor da cultura erudita com a cultura popular. Acho que a f??rmula ?? essa! Na verdade ali, est??o presentes todas as refer??ncias e por isso que agrada tanto. N??s temos experi??ncias fant??sticas com esse texto! De pessoas religiosas que levantam e saem no meio do espet??culo, at?? pessoas que fazem caravanas das suas igrejas para ir assistir ao espet??culo. ?? um mist??rio, sei l?? o que ?? isso&#8230; Mas ?? uma pe??a que trata de um tema universal! N??s apresentamos a pe??a em Portugal e ela funciona do mesmo jeito. E ela tem essa soma da cultura popular que ?? muito interessante. E essa coisa de tratar o sagrado e o profano como a cultura popular trata. Voc?? pega todas as festas religiosas, pega a Bahia, por exemplo, numa festa de Nosso Senhor do Bonfim, tem as mulheres lavando l?? as escadarias, e est?? acontecendo a oficialidade l?? dentro da igreja. Ent??o ela une essa coisa da f?? oficial com a f?? popular. Acho que o grande segredo ?? esse.</p>
<p><strong>P?? - O Luis tem uma luta para sistematizar a fun????o do dramaturgo, n??o ??? Para se ter um ensino sistem??tico disso, certo? Porque existe a escola de m??sico, a escola de ator, mas n??o existe a escola do escritor nem do dramaturgo. Como ?? que voc?? pensa isso?<br />
Abreu -</strong> ??! Eu sempre achei que a dramaturgia era uma coisa importante, principalmente porque eu era dramaturgo. Tinha essa coincid??ncia! Hahaha&#8230; E na verdade eu comecei numa ??poca que havia um respeito quase que sacralizado ?? dramaturgia, e logo depois passou para uma ??poca onde o dramaturgo era ca??ado a pedradas pelas ruas. Ou seja, a nega????o total da dramaturgia. Eu achava que era uma coisa importante. Eu acreditava que a dramaturgia deveria se disseminar, se multiplicar. Na verdade, ao mesmo tempo em que cada gera????o gerava dois ou tr??s dramaturgos, no m??ximo. Cada gera????o, de vinte em vinte anos. E de repente eu comecei com esse processo de cria????o de n??cleos de dramaturgia, de discutir dramaturgia, e da forma????o de grupos de dramaturgia. Era uma ??poca que se questionava se o dramaturgo poderia aprender, se poderia ter uma escola de dramaturgia&#8230; E eu me perguntava, poxa, porque n??o? E alguns cr??ticos falaram que dramaturgia n??o se ensinava! E realmente n??o se ensina, mas pode-se criar um ambiente prop??cio. Alias, n??o se ensina ator e nem diretor, mas h?? um ambiente prop??cio para o desenvolvimento desses artistas. Eu achava que seria a mesma coisa para a dramaturgia! E outro maluco que acreditava nisso tamb??m era o Chico de Assis. E durante um tempo, eu e o Chico de Assis, ??ramos os ??nicos em S??o Paulo que tinham n??cleos de dramaturgia e que investiam nisso. E na verdade foi uma coisa muito interessante, por que quando eu comecei, n??o tinha quase dramaturgo, e agora aquela mesma coisa que violonista e m??sico, voc?? sacode uma ??rvore e caem dez ou quinze. E ?? uma coisa muito legal, por que esse trabalho de mais de vinte anos na forma????o de n??cleos de dramaturgia, de tentar colocar a dramaturgia como um dos focos fundamentais de cria????o, quer dizer, isso aconteceu de fato. Ent??o agente tem uma dramaturgia, principalmente em S??o Paulo hoje, muito forte!</p>
<p><strong>Ednaldo -</strong>E ?? uma dramaturgia viva! N??o ?? aquela dramaturgia de gabinete. Isso eu acho que ?? legal! E que trabalha compartilhado com a cria????o dos grupos! N??o ?? a toa que o Luis Alberto de Abreu n??o tem, ou talvez tenha somente uma pe??a que n??o foi encenada, num universo de quase 50 pe??as que ele tem. Todas foram encenadas por que elas fossem feitas.</p>
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		<title>Entrevista com Humberto Sinibaldi</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Aug 2007 20:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Faconti</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
Humberto Sinibaldi ?? criador, ao lado de Dinorah do Valle, do festival de teatro de S??o Jos?? do Rio Preto. Senhor de tal import??ncia para a cultura Riopretense que empresta seu nome ao Teatro Municipal.
P?? ??? Voc?? pode falar um pouco sobre as origens do festival?
Sinibaldi - A gente tem falado muito sobre como tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" width="430" src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_fit2007.jpg" height="57" /></p>
<p><em>Humberto Sinibaldi ?? criador, ao lado de Dinorah do Valle, do festival de teatro de S??o Jos?? do Rio Preto. Senhor de tal import??ncia para a cultura Riopretense que empresta seu nome ao Teatro Municipal.</em></p>
<p><strong>P?? ??? Voc?? pode falar um pouco sobre as origens do festival?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong> A gente tem falado muito sobre como tudo come??ou, pois o como come??ou ?? exatamente a chave do caminho para que estejamos fazendo hoje este festival internacional, na sua 7?? edi????o.</p>
<p>Foi um come??o de muita luta na d??cada de 60, quando todo o teatro amador do estado vinha mostrando processos de muita qualidade e tendo um papel important??ssimo na forma????o de p??blico. Na verdade esse movimento era nacional, mas era S??o Paulo que liderava.</p>
<p>Existia ent??o, um festival chamado Festival de Teatro Amador do Estado de S??o Paulo, realizado pelo governo federal atrav??s da COTAESP, que era um ??rg??o fort??ssimo que representava todas as 11 federa????es de teatro do estado.</p>
<p>E um grupo de Rio Preto, com a dire????o de Jos?? Eduardo Vendramini, do qual eu fazia parte, ganhou esse festival e foi convidado a representar o estado no Festival Nacional de Teatro Amador de S??o Carlos com a pe??a A Mandr??gora.</p>
<p>E fomos todos animados, era um grupo jovem, e ganhamos o festival nacional. E essa euforia fez com que n??s cheg??ssemos ?? cidade e fossemos at?? o gabinete do prefeito. Fomos agradecer, pois ele tinha providenciado o transporte para o festival e, junto com a Dinorah do Valle, na ??poca diretora da Casa de Cultura, pedimos para fazer um festival nacional em Rio Preto. Ele perguntou quanto custaria e eu disse que uns 5.000, n??o me lembro qual era a moeda da ??poca, e ele topou.</p>
<p>E sa??mos de l?? entusiasmados. Isso era maio de 69 e fizemos o festival em julho. Quer dizer o primeiro festival foi feito em dois meses. Num sal??o de festas da igreja, pois na ??poca Rio Preto ainda n??o tinha o Teatro Municipal. E enchemos todos os dias. .</p>
<p>No in??cio era um trabalho de muita ra??a. A gente arrumava um tanto de carne com um frigor??fico, outro dava um tanto de arroz, eu sa??da de madrugada pra buscar as verduras, a minha mulher, gr??vida, era quem cozinhava. Mas era um sucesso.</p>
<p><strong>P??- E o Festival desde ent??o vem acontecendo ininterruptamente?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong> N??o. Foram 21 edi????es, n??o consecutivas, em 31 anos.</p>
<p><strong>P?? ??? O que j?? ?? uma grande conquista&#8230;</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi ???</strong> Pois ??, e nessa conquista, o principal eram as atividades formativas, as oficinas que a gente trazia, os debates que eram obrigat??rios. E se hoje existe todo esse movimento, isso se deve a meia d??zia de abnegados que lutaram com unhas e dentes pra trazer o festival at?? 2000, quando virou internacional.</p>
<p><strong>P?? ??? E qual a fun????o que voc?? exerce hoje no festival?</strong><br />
<span id="more-104"></span><br />
<strong>Sinibaldi -</strong>Na primeira, segunda e terceira edi????o do festival internacional, me reservaram apenas a posi????o de homenageado. Por que o Secret??rio de Cultura na ??poca estava querendo negar todo o passado e iniciar uma nova era.</p>
<p>Mas eu me mantinha sempre presente, pois eu sabia que o lugar era meu. E mesmo eles n??o me dando nenhuma fun????o, eu ficava l?? de prop??sito. Pois eles tinham que me engolir. A?? com a chegada desse novo Secret??rio, o Pedro Ganga, eu comecei a participar como membro da comiss??o organizadora. A?? sim eu voltei a ter fun????es.</p>
<p>Eu sinto que, eu, o Vendra(Jos?? Eduardo Vendramini), o Carlos Gardim, n??s merecemos esse lugar. Pois n??s somos a chama viva desse festival. A nossa energia tamb??m est?? presente. Na verdade, quem segurou o Roj??o todos os anos fomos a Dinorah e eu&#8230;e o Vendra de longe, pois ele morava em S??o Paulo. Era a gente que corria atr??s de grana, se n??o conseguisse, a gente tirava do bolso pra ver se recebia mais tarde.</p>
<p>Ent??o hoje eu fa??o membro da comiss??o organizadora. E esse atual secret??rio, exigiu que a prefeitura sempre indicasse dois membros para a curadoria, e um deles ?? sempre um desses antigos. Esse ano ?? o Carlos Gardin, o ano passado foi o Vendra e assim vai.</p>
<p><strong>P?? ??? O Festival, desde que se internacionalizou, vive um outro momento, com um outro porte. Eu quero saber como voc?? avalia esse crescimento e se, inevitavelmente, algo se perde?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>Sim perde, l??gico. Hoje a m??dia est?? muito mais forte, o festival est?? mais europeu, e perdeu a quest??o do conv??vio, do contato, da competi????o. Eu ainda sou a favor da competi????o, pois a partir do momento que o festival deixou de ser competitivo, os debates perderam interesse, at?? dos pr??prios grupos. E hoje n??o existem mais no festival. N??o ?? quest??o da competi????o com um fim em si pr??pria, mas a competi????o faz com que o interesse seja maior. Afinal o mundo ?? competitivo.</p>
<p><strong>P??- Uma coisa que eu sinto ?? que os festivais t??m perdido sua fun????o de espa??o de reflex??o sobre o fazer e o pensar art??stico, e t??m se tornado mais uma vitrine de produtos culturais. Voc?? acha que isso vem acontecendo tamb??m em Rio Preto?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>Tem. Os grupos ficam 4, 5 dias aqui, est??o envolvidos com seus espet??culos e n??o t??m tempo para trocar experi??ncias. Hoje o festival traz produ????es bel??ssimas, mas acho que falta o eixo, a ess??ncia.</p>
<p><strong>P??- E o que o festival representa para popula????o n??o artista da cidade? Voc?? acha que ele forma p??blico pra outros eventos de teatro em Rio Preto?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>N??o. ?? claro que ele gera uma grande expectativa. Tanto ?? que os ingressos s??o esgotados muito r??pido. Mas passando o festival o p??blico volta a se interessar apenas pelo teatro dos ???globais???, pelos grandes nomes. O grupos da cidade tem muita dificuldade de levar p??blico.</p>
<p><strong>P??- Falando nisso, como voc?? v?? a produ????o local? Voc?? sente que o festival contribui para a melhoria da qualidade do teatro feito na cidade?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>A princ??pio, era pra melhorar. Mas a coisa ?? meio c??clica. Varia muito conforme as gera????es que vem se sucedendo. Hoje, Rio Preto tem muitos grupos, acho que mais de vinte, e tem muita coisa interessante, mas tem muita coisa que n??o d??, h?? muito equ??voco. Acho que ?? necess??ria uma reflex??o. Pois uma coisa s??o trabalhos que n??o agradam a mim ou a voc??, outra s??o os trabalhos que s??o um equ??voco completo. E isto aparece muito no teatro infantil. Que ?? feito sem conhecimento da psicologia infantil, sem apoio de um psic??logo, de um pedagogo. O pessoal acha que teatro infantil ?? mais f??cil e sai fazendo qualquer coisa.</p>
<p>Por??m eu vejo que tem muita gente jovem. Eu tamb??m comecei muito jovem e acho que teatro s?? se aprende fazendo e vendo. E no festival a gente tem a oportunidade de ver coisas maravilhosas que se amanh?? eu fosse montar um espet??culo, eu teria condi????o de absorver muitas coisas. Mas pra isso ?? necess??rio que se saiba observar, absorver e encontrar formas de aplicar as coisas no seu trabalho.</p>
<p><strong>P??- Eu recebi um jornalzinho do pessoal de teatro amador da cidade, no qual o eles se mostravam muito insatisfeitos com o festival. Diziam que a prefeitura gasta todo o f??lego nesse evento e n??o reserva nada para os grupos da cidade. O que voc?? pensa dessas coloca????es?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>Eu n??o vou dizer que eles est??o totalmente errados, mas uma secretaria n??o pode cuidar s?? do teatro, ela tem que contemplar todas as ??reas. E a secretaria daqui tem tentado fazer isso. Tem um pr??mio est??mulo que d?? dez mil reais para montagens. Em mar??o, no anivers??rio da cidade, a prefeitura abre para todos os trabalhos da cidade, sem medir a qualidade e paga um cach??, pequeno, mas paga.</p>
<p>E, al??m disso, o festival n??o ?? bancado pela prefeitura municipal. A prefeitura d?? apenas duzentos mil reais, pro carnaval ela d?? duzentos e cinq??enta, quem mant??m o festival s??o os parceiros como a Petrobr??s e o SESC.</p>
<p><strong>P??- Mas voc?? acha que o festival gera na secretaria uma sensa????o de: Miss??o cumprida com o teatro, agora vamos se dedicar a outras ??reas? </strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>N??o. A prefeitura sempre ?? procurada pra ser parceira de outros eventos de teatro, e participa. Por exemplo, na mostra Rio Preto em Cena, acho que ?? esse nome, a prefeitura cede os espa??os gratuitamente. Em janeiro h?? um evento que s??o dez dias de teatro infantil a R$1,99, que a prefeitura al??m de n??o cobrar pelos espa??o as ainda d?? uma ajuda.</p>
<p>?? que eles n??o sabem o que ?? uma prefeitura que n??o colabora. A gente j?? chegou a ser escorra??ados do gabinete do prefeito sendo chamados de viados, nem homossexuais, viados mesmo. Viados e putas. Isso ?? que era fazer as coisas na ra??a.</p>
<p><strong>P?? ??? E o que voc?? espera para o futuro do festival?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>O objetivo ?? sempre fazer melhor, que nunca acabe&#8230; Mas n??o d?? pra prever. Quem imaginaria na d??cada de 60 que o festival estaria assim hoje? Mas o futuro do Brasil ?? de incertezas. O que a gente espera ?? que n??o se percam os parceiros, pois sem um ou dois dos parceiros, principalmente os grandes, j?? fica invi??vel.</p>
<p><strong>P??- Pra finalizar&#8230;?</strong></p>
<p><strong>Sinibaldi -</strong>Pra finalizar eu quero dizer que tudo o que eu coloquei aqui ?? apenas o meu ponto de vista e que eu respeito profundamente todos que est??o fazendo teatro. Por que s?? quem faz ?? que sabe das dificuldades.</p>
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		<title>Video Clipe: Homenagem a Gianfrancesco Guarnieri</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/17/video-clipe-homenagem-a-gianfrancesco-guarnieri/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Aug 2007 14:28:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[M?sica]]></category>

		<category><![CDATA[V?deos]]></category>

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		<description><![CDATA[Est?? no ar o novo videoclipe de Olavo D??da (dramaturgo do Teatro do P??), interpretando &#8220;Sonho Imposs??vel&#8221; (vers??o: C. Buarque &#038; R. Guerra), numa homenagem ao genial GIANFRANCESCO GUARNIERI.

Ficha T??cnica:
Roteiro: Olavo D??da
Dire????o: Dino Menezes &#038; Olavo D??da
Fotografia &#038; Edi????o: Dino Menezes
Luz: Alexandre Amorim
Concep????o de luz e cena: Olavo D??da
Produ????o:  musicarolina edi????es &#038; DM Filmes
Apoio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Est?? no ar o novo videoclipe de <a href="http://blog.teatrodope.com.br/equipe/olavo-dada/">Olavo D??da</a> (dramaturgo do Teatro do P??), interpretando &#8220;Sonho Imposs??vel&#8221; (vers??o: C. Buarque &#038; R. Guerra), numa homenagem ao genial GIANFRANCESCO GUARNIERI.</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fIG5t05Q954"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/fIG5t05Q954" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p><strong>Ficha T??cnica:</strong></p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Olavo D??da<br />
<strong>Dire????o:</strong> Dino Menezes &#038; Olavo D??da<br />
<strong>Fotografia &#038; Edi????o:</strong> Dino Menezes<br />
<strong>Luz:</strong> Alexandre Amorim<br />
<strong>Concep????o de luz e cena:</strong> Olavo D??da<br />
<strong>Produ????o: </strong> musicarolina edi????es &#038; DM Filmes<br />
<strong>Apoio cultural:</strong> SESC-Santos<br />
<strong>Ghost piano-player:</strong> Alex Oliver<br />
<strong>Foto de Guarnieri &#038; Olavo D??da:</strong> Camila Oliveira<br />
<strong>Fotos:</strong> arquivo pessoal &#038; google</p>
<p>Agradecimentos no SESC: Ernesto Corona (Gerente) / Roberto Barbosa (Dir. Programa????o) / Alexandre Amorim / Marcelo R. B. de Fernandez (Gambitto) /.Edivaldo Paulino / Cristiano ???Tony Balada??? / Leandro ???Lula Molusco??? / Ernani ???Cidad??o??? / Rodolfo Mendes</p>
<p>Gravado no Teatro do SESC-Santos, em julho de 2007.</p>
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		<title>Mostra de Teatro de Bonecos 2007 - SESI</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/11/mostra-de-teatro-de-bonecos-2007-sesi/</link>
		<comments>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/11/mostra-de-teatro-de-bonecos-2007-sesi/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Aug 2007 12:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Faconti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bonecos]]></category>

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		<description><![CDATA[
?? com muita alegria que, por mais um ano, Santos recebe a Mostra de Teatro de Bonecos do SESI. Esse ano, aos fins de semana, o que nos facilita bastante.
No decorrer dos ??ltimos anos, a Mostra tem trazido ?? cidade, espet??culos de grande qualidade que, se me permitem o clich??, v??m encantando adultos e crian??as.
Essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/bonecos_01.jpg" width="430"></p>
<p>?? com muita alegria que, por mais um ano, Santos recebe a Mostra de Teatro de Bonecos do SESI. Esse ano, aos fins de semana, o que nos facilita bastante.</p>
<p>No decorrer dos ??ltimos anos, a Mostra tem trazido ?? cidade, espet??culos de grande qualidade que, se me permitem o clich??, v??m encantando adultos e crian??as.</p>
<p>Essa ?? mais uma iniciativa do SESI-SP que vem na contram??o da lenda, t??o propagada e prejudicial, de que o teatro ?? caro. S?? o SESI Santos traz por ano quatro grandes mostras de teatro, para adultos, teatro infantil, a mostra de produ????es dos n??cleos de artes c??nicas do SESI, al??m da mostra de bonecos. Tudo de gra??a!!!!</p>
<p>Al??m da programa????o do SESC, Secretaria Municipal de Cultura, entre outros ??rg??o que trazem teatro a pre??os bem populares. Eu ainda vou escrever um post detalhando todo o calend??rio de teatro barato ou gratuito da cidade.</p>
<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/bonecos_02.jpg" width="430"></p>
<p>Bom, mas voltando ao assunto a?? vai a programa????o da mostra:</p>
<h3>11 e 12/08 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong> Gigante - 50 min.<br />
<a href="http://www.truks.com.br">Cia. Truks Teatro de Bonecos</a></p>
<h3>18 e 19/08 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong>A Hist??ria de Rapunzel - 50 min.<br />
<a href="http://www.patetica.com">Cia. Pat??tica</a></p>
<h3>25 e 26/08 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong> Teatro Imagin??rio -50 min.<br />
Cia. de teatro Mevitevendo</p>
<h3>01 e 02/09 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong> S??tio dos Objetos -40 min.<br />
Cia. Mariza Basso Teatro de Formas Animada</p>
<h3>08 e 09/09 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong> Manomovies: O Film??o -45 min.<br />
Teatro de La Plaza e Los Quintana</p>
<h3>15 e 16/09 - s??bado e domingo</h3>
<p><strong>Espet??culo:</strong> Sob Seus Olhos -50 min.<br />
<a href="http://www.ciapolichinelo.com.br/">Cia. Polichinelo Teatro de Bonecos</a></p>
<p>Os espet??culos acontecem ??s 16:00 hs. , e os ingressos, gratuitos, podem ser retirados com uma hora de anteced??ncia.</p>
<p>O SESI Santos fica na Av. Nossa Senhora de F??tima, 366 ??? Jd. Santa Maria(Zona Noroeste). Telefone: (13) 3203-4966</p>
<p>Aproveitem!!!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Z?? Ernesto Pessoa e Pedro Pires - Cia. do Feij??o</title>
		<link>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/08/entrevista-com-ze-ernesto-pessoa-e-pedro-pires-cia-do-feijao/</link>
		<comments>http://blog.teatrodope.com.br/2007/08/08/entrevista-com-ze-ernesto-pessoa-e-pedro-pires-cia-do-feijao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Aug 2007 21:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<category><![CDATA[Grupos]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro do P?]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Cia. Do Feij??o apresentou na Mostra de Coletivos Teatrais do SESC ??? Santos o espet??culo ???Nonada???, que narra as desventuras de um desmemoriado aprisionado em um eterno purgat??rio. Na conversa com Z?? Ernesto Pessoa e Pedro Pires eles falaram sobre os processos e interesses tem??ticos e est??ticos da Cia. do Feij??o.


Z?? Ernesto Pessoa, Dire????o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" width="430" src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_mostra_sesc.jpg" height="57" /></p>
<p>A Cia. Do Feij??o apresentou na Mostra de Coletivos Teatrais do SESC ??? Santos o espet??culo ???Nonada???, que narra as desventuras de um desmemoriado aprisionado em um eterno purgat??rio. Na conversa com Z?? Ernesto Pessoa e Pedro Pires eles falaram sobre os processos e interesses tem??ticos e est??ticos da Cia. do Feij??o.</p>
<table width="440">
<tr>
<td width="220" align="center"><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/ciafeijao_ze_ernesto.jpg" width="200"><br />Z?? Ernesto Pessoa, Dire????o e dramaturgia.</td>
<td width="220" align="center"><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/ciafeijao_pedro_pires.jpg" width="200"><br />Pedro Pires, mesma coisa que o Z?? Ernesto s?? que ao contr??rio.</td>
</tr>
</table>
<p><strong>Teatro do P?? - O que ?? a Cia. Do Feij??o?<br />
Pedro - </strong>Bom ?? uma cia. que j?? vai fazer 10 anos no ano que vem. ?? uma cia. que alia a pesquisa de linguagem ?? cria????es relacionadas ao nosso mundo de hoje, quest??es que nos tocam, que nos incomodam, e ao longo de todos esses anos, a gente pesquisou v??rios temas relacionados ao Brasil, desde de temas sociais, s??cio-pol??ticos&#8230; A gente n??o trabalha com textos originais de teatro, a gente cria os nossos pr??prios textos, tamb??m baseados numa linguagem que ?? a da narrativa, do teatro ??pico.</p>
<p><strong>P?? - Essa dramaturgia de voc??s ?? de gabinete ou fruto do processo?<br />
Z?? Ernesto - </strong>Todo o tempo ela ?? produzida em espa??o de ensaio. Evidentemente, tem algumas necessidades que s??o enxertos feitos, mas eles sempre entram depois desse texto ter brotado de um processo de ensaio entre os atores. D?? pra dizer que uma grande parte da dramaturgia ?? dos atores tamb??m, durante esse processo de cria????o.</p>
<p><strong>P?? - Quais foram as montagens do grupo?</strong></p>
<p><span id="more-100"></span><br />
<strong>Pedro - </strong>Bom a primeira montagem do grupo ?? o ???Movido a Feij??o??? de 98, que ?? um espet??culo em cima dos catadores de lixo. Depois fizemos ???O ?? da Viagem??? que foi feito ?? partir de uma viagem nossa pro Nordeste, dos di??rios de M??rio de Andrade. Depois ???O Antigo 1850??? que ?? um olhar nosso sobre a periferia da cidade de S??o Paulo, esse ?? de 2001. Depois tem o ???Mire e Veja??? que ?? um espet??culo sobre a cidade de S??o Paulo, o cora????o da cidade e os personagens que saem de dentro dessa multid??o que habita a cidade de S??o Paulo. O ???Reis de Fuma??a??? que ?? um espet??culo de rua onde experimentamos essa quest??o do teatro de narrativa na rua. Que tamb??m ?? uma pesquisa em cima de depoimentos que coletamos ao longo da nossa hist??ria, da realidade dos brincantes, dos fazedores de cultura popular. E depois o ???Nonada??? que agente apresentou aqui, que ?? uma pesquisa em cima da literatura brasileira, de v??rias ??pocas, de v??rios per??odos&#8230; E em ???Nonada??? nos inspiramos em Machado de Assis, Clarice Lispector e M??rio de Andrade.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s t??m esse jeito de falar sobre o que incomoda voc??s. Como ?? que surgem os temas dos espet??culos? Como ?? que eles surgem no processo?<br />
Z?? Ernesto - </strong>?? eles brotaram, meio que naturalmente, da nossa observa????o do homem brasileiro. Quem ?? esse cara? Esse cara que somos n??s, peda??os de n??s! Em que lugar esse brasileiro vive? E ai, mais diretamente, ?? isso o que o Pedro falou. Quer dizer, as coisas que nos incomodam, mais do que a lamenta????o, a gente tr??s para o nosso processo de trabalho. E n??o quer dizer que ?? o final, que quando ficar pronto o espet??culo a gente vai ter uma resposta! Mas voc?? pondo o fantasma na sua altura fica mais f??cil de negociar com ele.</p>
<p><strong>Pedro ???</strong> E, outro dado s??, ?? que um espet??culo acaba levando ao outro. Um espet??culo puxa um fio que vai levar para um pr??ximo tema que voc?? desvenda, voc?? vasculha&#8230; e esse tema te levanta outras quest??es, outros temas que da?? a gente vai. At?? por isso que agente fala que o ????? da Viagem???, ???O antigo 1850??? e ???O Mire e Veja??? formam uma trilogia. Talvez o ???Nonada??? esteja inaugurando uma outra trilogia, ou n??o, n??o sabemos&#8230;</p>
<p><strong>P?? - O ???Nonada???, nas mat??rias que eu li a respeito, falava que a fonte da pesquisa de voc??s ?? um ensaio, uma elabora????o do Roberto Schwartz, sobre o que ele chama de ???modernismo conservador???, que o Brasil n??o importa pensamentos, mas os aplica de uma forma ornamentada. Gostaria que voc??s falassem sobre o que atraiu essa tem??tica?<br />
Pedro - </strong>Na verdade o Roberto Schwartz, com a moderniza????o conservadora, ?? um dos primeiros brasileiros que come??a a investigar, dentro da literatura brasileira, mais do que simplesmente a literatura. Ele come??a a ler o pa??s atrav??s desses grandes autores, principalmente de Machado de Assis. Que segundo ele, no s??culo XIX, j?? tinha diagnosticado qual era o problema fundamental do Brasil. Ou seja, o Brasil ?? um pa??s que se moderniza conservando. Conservando institui????es arcaicas, uma maneira de rela????o entre o p??blico e o privado, entre as pessoas, e que na verdade vem dessa rela????o que existia na ??poca da escravid??o. Ou seja, na escravid??o a gente tinha os senhores, os escravos, que n??o tinham autonomia nenhuma, e uma grande classe de homens que eram chamados de homens livres pobres. Ou seja, eles n??o eram nem propriet??rios, e nem eram os trabalhadores, por que o trabalho era uma coisa de escravo no Brasil. Era uma coisa que denegria o ser humano ser um trabalhador. Ent??o quer dizer, voc?? tem esse miolo ai, essas pessoas que est??o nesse meio, que vivem do favor dos senhores. E como eles n??o podem vender sua for??a de trabalho no mercado, como eles faziam na Europa, no liberalismo europeu, eles viviam do favor desse senhor. Ent??o, se eles ca??ssem na desgra??a desse senhor, eles estavam fritos, eles n??o tinham como sobreviver. Ent??o voc?? pega mesmo um advogado, um m??dico, se ele n??o tivesse algum la??o com algum propriet??rio que tinha grana, ele estava perdido. Ent??o, essa ?? uma quest??o importante para entender o porqu?? de ???moderniza????o conservadora???? Por que o Brasil no s??culo XIX se dizia uma na????o liberal, quer dizer, importava essas id??ias do liberalismo europeu, s?? que toda a produ????o do Brasil era baseada em m??o de obra escrava. Ent??o, que liberalismo ?? esse, onde voc?? n??o tem um mercado de venda da for??a de trabalho? Ent??o, a partir desse momento, foram sendo feitos grandes arranjos no Brasil para manter a elite no lugar dela e os outros todos meio que dependendo da elite, direta ou indiretamente&#8230; Quer dizer, at?? esse capitalismo que a gente tem hoje, segundo os te??ricos, ?? at?? um capitalismo super avan??ado. Por que o ideal do capitalismo ?? isso, ?? dominar e n??o ter mais ningu??m embaixo para oferecer resist??ncia. Ent??o, tem at?? umas pessoas que dizem hoje que a vanguarda do capitalismo j?? estava nesse modelo do s??culo XIX do Brasil. Quer dizer, sem oposi????o! O capital com a for??a plena e nenhuma oposi????o. Que durante um bom tempo houve por causa dos pa??ses comunistas que criavam uma tens??o&#8230; Quando acabaram os pa??ses comunistas, o capitalismo assumiu essa hegemonia, e o mundo inteiro est?? se brasiliarizando, vamos dizer assim.</p>
<p><strong>P?? - E a??? Esse conjunto de interpreta????es, eles para virarem cenas, para virarem teatro, como isso funciona?<br />
Z?? Ernesto -</strong> Eu acho que uma das chaves; ?? claro que s??o muitas abordagens, mas eu considero uma das mais preciosas, a gente como personagem dessa hist??ria. N??s estamos falando do Brasil no s??culo XIX, mas querendo ver o que do s??culo XIX est?? aqui ainda. E nesse aspecto a mem??ria dos atores, e de n??s de fora, mesmo quando a gente entra. Isso ?? muito importante! Como isso bate em mim hoje? O que da minha vida eu poderia relacionar com esses princ??pios e com essas leituras. E dai, ?? um leque muito aberto que agente vai fechando e vendo o que tem interesse c??nico. O que funciona e o que n??o funciona, segundo a nossa lente.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s trabalham tamb??m a quest??o do narrador. O que ?? o ator narrador pra voc??s?<br />
Pedro -</strong> Olha o ator narrador, ?? aquele que n??o ?? uma pe??a do espet??culo. Uma pe??a alienada! Ele ?? uma pe??a por inteiro. Quer dizer, ele est?? contando essa hist??ria, e por todos estarem contando, todos fazem parte do espet??culo inteiro. Que ?? diferente de um ator que vai l?? fazer um papel, ele entra na hora dele e sai, e est?? fechado. Isso ?? uma das dimens??es. A no????o do narrador ?? aquela de quem conhece a hist??ria de cabo a rabo. Ent??o ele domina essa hist??ria, e ele pode at?? comentar essa hist??ria, ele vai comentar essa hist??ria. Quando ele for fazer um personagem, ele n??o vai fazer um personagem ???neutro???, por que nem existe o neutro, de certa forma voc?? est?? tomando um partido. Ent??o, ele est?? fazendo com consci??ncia. Ele est?? fazendo anal??tica e criticamente aquele personagem. Ent??o essa ?? uma das dimens??es do porque da narrativa. E outra coisa ?? que, para falar de grandes temas, voc?? n??o pode ir para o teatro dram??tico. O teatro dram??tico d?? conta de um conflito familiar ou pequeno, e como agente est?? trabalhando no presente de hoje, mas vendo o passado e a nossa hist??ria como fonte, o narrador ele permite esses paralelos entre tempos, ele atravessa o tempo. Ent??o da?? a import??ncia dele tamb??m!</p>
<p><strong>P?? - Hoje eu ouvi um coment??rio, que eu achei bem bonito, que ?? assim: ???O narrador ?? aquele que viveu e vem contar!??? e ai voc??s recolhem as narrativas de outras pessoas para construir os espet??culos. Que papel tem a narra????o hoje no cotidiano? Voc??s conseguiram identificar, nas pr??prias pessoas, como elas utilizam a narrativa em sua vida cotidiana?<br />
Z?? Ernesto -</strong> Eu acho que isto est?? diretamente relacionado aos encontros! Existe uma grande dicotomia, que est?? presente agora na nossa pr??xima cria????o, que est?? em processo agora, que ?? a quest??o do Individual vs O Coletivo. Voc?? quer o melhor para a sua vida ou voc?? quer o melhor para a sua coletividade? Ou para o seu pa??s? Podemos ampliar&#8230; E o que est?? na base do narrador mesmo, quer dizer, a capacidade de voc?? recontar uma hist??ria que voc?? ouviu, que voc?? presenciou - n??o precisava ter vivido, necessariamente, mas voc?? pode ter ouvido; - Reinventando essa hist??ria! Por que basicamente o narrador podia ser aquele que estava parado, e via e ouvia os viajantes passando e contando suas hist??rias, e ele recontava isso. Ou o viajante em tr??nsito, vendo e ouvindo hist??rias de muitos lugares, e tamb??m na hora que ele vai contar, j?? n??o e mais aquela mesma hist??ria que ele ouviu ou presenciou, j?? est?? filtrada por ele. Eu acho que essa capacidade dessa fragmenta????o toda desse mundo que agente vive hoje, se perde em grande medida. ???Honrosas ilhas de resist??ncia???, e a gente espera ser uma delas!</p>
<p><strong>Pedro -</strong> E tem essa quest??o do narrador com o ouvinte dele. Ele est?? transmitindo uma experi??ncia, e o mundo de hoje carece dessa transmiss??o de experi??ncia. Como ?? tudo mercadoria, ?? tudo r??pido, ?? tudo consumo&#8230; Consumo n??o ?? experi??ncia! Ou ?? uma experi??ncia meio, vamos dizer, a l?? coca??na, aquela experi??ncia que quando termina o efeito da droga, voc?? precisa de mais, ?? um fetiche. E a experi??ncia de duas pessoas, uma contando uma hist??ria para a outra, ?? uma coisa que fica para o resto da vida na pessoa que ouviu, e dependendo das rea????es da pessoa que ouviu, a que conta tamb??m est?? se transformando, est?? se questionando, se vendo, se ouvindo. Ent??o, quer dizer, isso ?? uma coisa que pros dias de hoje, acaba indo para um outro lado, para o fetiche, para uma satisfa????o r??pida, porque voc?? precisa de outro, de outro, de outro&#8230; E n??o tem nada que fique mesmo, que v?? para o ser humano e que enrique??a a experi??ncia de vida dele.</p>
<p><strong>P?? - Isso me remete ??quela teoria ???Em busca do tempo perdido??? do Proust. Que ele diz que quando a gente passa pelo presente, a gente n??o vive a experi??ncia plenamente. A gente s?? vai reviv??-la quando cont??-la, por que ai voc?? seleciona o que ?? importante, o que ?? imprescind??vel.</strong></p>
<p><strong>E para terminar, uma pergunta de interesse dos coletivos teatrais, voc??s tem um espa??o agora. O que esse espa??o est?? proporcionando pra voc??s em trabalho?<br />
</strong><strong>Pedro -</strong> Bom, desde 2004, agente est?? com um espa??o l?? em S??o Paulo, do lado do Teatro de Arena Eug??nio Kusnet, que aos poucos agente foi conseguindo montar, gra??as muito ?? Lei de Fomento ao Teatro da cidade de S??o Paulo, que nos possibilitou um grande avan??o de tempo e de dedica????o para as nossas pesquisas. E logicamente o espa??o, que inicialmente era um espa??o de ensaio e de pesquisa para agente estar experimentando, e que com o ???Nonada??? no ano passado, ele se tornou um espa??o de apresenta????es. N??o ?? um teatro tradicional, vamos dizer que n??o mantemos um repert??rio de v??rios grupos convidados, por que ao mesmo tempo ele ?? o nosso espa??o de trabalho e agente n??o quer tirar o foco de nosso trabalho para se tornar um gestor de espa??o simplesmente. E acho que a partir desse ano agora, que agente est?? passando por uma finaliza????o no per??odo de cria????o, talvez agente comece a colocar outros grupos tamb??m se apresentando l?? dentro. Mas ?? fundamental esse cuidado, ?? que nem a sua casa! J?? pensou se a cada dia voc?? vai dormir em um lugar? Voc?? n??o tem lugar pra criar suas ra??zes.</p>
<p><strong>P?? - Qual ?? o pr??ximo trabalho que voc??s est??o pesquisando?</strong><br />
<strong>Pedro -</strong> O tema da pesquisa ?? ???Por que a esquerda se endireita????. E s??o os ??ltimos 40 anos do Brasil, desde o golpe de 64, mais ou menos, at?? hoje. E estamos trabalhando em cima desse tema, e trabalhando muito com nossas mem??rias pessoais e dos pr??prios atores. Porque todo o mundo viveu nos ??ltimos quarenta anos. O Petr??nio integralmente, e outras pessoas em partes maiores ou menores. Ent??o estamos trabalhando: O que aconteceu nesses 40 anos que a gente est?? nesse beco sem sa??da hoje? Vivendo essa sensa????o de ang??stia, porque enfim, os muros est??o se abrindo, o ch??o est?? abrindo, os avi??es est??o caindo. Ent??o, agente est?? nesse miolo, nessa panela de press??o, e estamos cozinhando essa carne para ver o que vai sair dela.</p>
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		<item>
		<title>Entrevista com Fernando Neves &#38; Erica Montanheiro da cia. Os Fofos Encenam</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Aug 2007 22:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Clown & Circo]]></category>

		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<category><![CDATA[Espet?culos]]></category>

		<category><![CDATA[Grupos]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro do P?]]></category>

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		<description><![CDATA[
Os Fofos Encenam ?? uma grande companhia de teatro. Cerca de quinze artistas (nem eles sabem ao certo quantos s??o) comp??em esse grupo, que j?? realizou montagens com ???Assombra????es do Recife Velho??? e ???Deus sabia de tudo e n??o fez nada???. Para a Mostra de Coletivos Teatrais do Sesc Companhia trouxe o alucinante ???A Mulher [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" width="430" src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_mostra_sesc.jpg" height="57" /></p>
<p>Os Fofos Encenam ?? uma grande companhia de teatro. Cerca de quinze artistas (nem eles sabem ao certo quantos s??o) comp??em esse grupo, que j?? realizou montagens com ???Assombra????es do Recife Velho??? e ???Deus sabia de tudo e n??o fez nada???. Para a Mostra de Coletivos Teatrais do Sesc Companhia trouxe o alucinante ???A Mulher do Trem???, dirigida por Fernando Neves, fruto de um texto achado no ba?? de sua fam??lia. Conversamos com o diretor Fernando (que chegou depois) e com a atriz ??rica Montanheiro (que chegou primeiro) logo ap??s a apresenta????o em 15 de Julho de 2007.</p>
<table width="440">
<tr>
<td width="220" align="center"><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/fofos_fernando_neves.jpg" width="200"><br />Fernando Neves</td>
<td width="220" align="center"><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/fofos_erika_montanheiro.jpg" width="200"><br />Erika Montanheiro</td>
</tr>
</table>
<p><strong>Blog do P?? - H?? quanto tempo existem Os Fofos?<br />
??rica -</strong> Acho que desde 92. Mas ainda na Unicamp, e depois em S??o Paulo a partir do espet??culo ???Deus sabia de tudo e n??o fez nada???.</p>
<p><strong>P?? - E hoje voc??s s??o em quantos?<br />
??rica -</strong> Acho que somos em 15. ?? que n??s somos muitos&#8230;</p>
<p><strong>P?? - Como voc?? consegue resumir o que e a companhia dos Fofos em Cena enquanto busca est??tica, busca art??stica, como ?? que voc?? caracteriza?<br />
??rica -</strong> Acho que s??o as duas coisas. Essa pesquisa que come??a pelo Newton, que come??a no ???Assombra????es do Recife Velho???, e essa quest??o do circo que ?? muito forte, por que o Fernando ?? descendente direto de artistas circenses. E ele vai chegar e vai poder falar mais&#8230;</p>
<p><strong>P?? - Pode chegar, senta ai&#8230;<br />
??rica -</strong> E ele vai falar tudo agora!</p>
<p><strong>Fernando -</strong> Agora eu falo tudo e n??o escondo nada!<br />
<span id="more-99"></span><br />
<strong>P?? - Voc?? contou na viv??ncia da tarde, sobre sua liga????o com o circo-teatro e especificamente no caso de ???A mulher do trem??? que ?? um texto que voc?? achou no acervo de sua fam??lia.<br />
Fernando -</strong> Ent??o! O texto ???A Mulher do Trem??? ?? do s??culo 19 e ?? franc??s. Dos autores Maurice Hennequin e George Mitchell, e ?? o seguinte&#8230; os circos tinham um trunfo assim de repert??rio. Por que na ??poca, n??o tinha como gravar, como filmar, nem nada. Ent??o as companhias tinham o seu repert??rio. E isso era um trunfo! Ent??o quem quisesse ver ???A Mulher do Trem??? ia l?? no circo. Textos nacionais, n??o. O meu av?? era portugu??s, ele tinha um contato com Lisboa e Paris. Ent??o eles trouxeram adaptado esse texto e estrearam na d??cada de 20 e sempre fez muito sucesso! E, ?? ??bvio, n??o ?? o que voc??s v??em hoje. De jeito algum. Por que tinha outro tempo. Por exemplo, eu para adaptar esse texto cortei muito, por que essa hist??ria tem muito quiproc??, muita intriga. Muita carta que entra e sai, o texto ?? muito mais explicado, por que a plat??ia n??o entendia. Eu pensava. Mas pra que essa cena que explica toda&#8230; j?? est?? claro isso! Ent??o para a plat??ia tinha que falar tudo; porque que tinha mandado a carta, qual o prop??sito de fazer, de contar essa hist??ria, o por que das coisas. Era tudo muito explicado. A plat??ia n??o dominava esse c??digo teatral. E, por exemplo, essa hist??ria de passar o tempo, tinha que baixar a cortina, trocar o cen??rio. Isso tudo tinha que fazer no circo. Isso tudo tinha doze atos, eram doze atos. E principalmente, como a base ?? o melodrama, sempre tem um personagem que tem que resgatar sua honra. Ent??o se passam assim 20 anos. Ent??o o que eles faziam, tinha que baixar cortina, trocar cen??rio, trocar roupa, maquiagem, botar o cabelo branco. Sen??o a plat??ia n??o entendia e falava: U??? Passaram-se 20 anos e nada aconteceu? Ent??o nessa adapta????o eu cortei muito texto. Por que era extremamente explicado&#8230;</p>
<p><strong>P?? - E o elemento do piano ?? original?<br />
Fernando -</strong> N??o, n??o! No circo eu trabalho com a m??sica, por que a m??sica no circo-teatro ?? muito importante. Eles tinham um regional que eles chamavam de regional, e esse regional n??o faz aquela coisa de pontuar a id??ia, dar o tempo. Eles usavam mais o regional para dar o tema do personagem, para dar o clima para a cena, pra pontuar uma piada, mas n??o dessa forma. Agente usa pra tudo, pra dar tempo, revelar pensamento, o tema, pra dar ch??o para o personagem, pra dar o clima pra cena&#8230; a gente usa o piano pra tudo!</p>
<p><strong>P?? - Dessa pesquisa espec??fica do circo-teatro, voc??s montaram dois espet??culos. E tem projeto de continuar com as pesquisas? J?? existe estudos de texto?<br />
Fernando -</strong> Sim com certeza! Ent??o o que agente quer fazer, se agente ganhar o Petrobr??s. A gente vai fazer um projeto chamado ???Santoro Vanna Neves???, que ?? a vida da minha fam??lia. Pois todo o mundo era artista n??? ??&#8230; o Santoro casado com os Neves, que eram do circo. Depois se juntaram aos Vianna. Os Vianna se juntaram aos Santoro antes, em 1910. Quando o meu av?? passou por Minas e conheceu minha av??, m??e da minha m??e. Era 1910. Quer dizer, meu av??, pai da minha m??e, j?? estava no circo desde 1905. Era coisa muito antiga. Ent??o eu e Newton Moreno vamos escrever uma saga. Vamos escrever essa trajet??ria do circo no final do s??culo 19, at?? meados do s??culo 20. Mas assim, falando das ditaduras, de guerra, de febres, de gripe espanhola. Toda essa hist??ria do Brasil&#8230;</p>
<p><strong>P?? - E como isso afetou essa estirpe&#8230;<br />
Fernando -</strong> O que acontecia com o circo? Por que eu me lembro de todas essas hist??rias que eles contavam. Minha av?? contando em 1918 da gripe espanhola. O absurdo que era&#8230; O circo vazio, as pessoas tinham medo. E eles ajudando a recolher os mortos nas ruas. Quer dizer, atrav??s do circo agente vai contar esse momento da hist??ria, do Brasil e do mundo, n??? Falar da guerra, das revolu????es, de 32&#8230;</p>
<p><strong>P??- Pra teorizar um pouco, vamos falar de ???A Mulher do Trem???, que ?? o caso de hoje. Que grau de comunicabilidade voc?? acha que esse espet??culo atinge um p??blico que hoje mais plural do que o p??blico de antigamente. Hoje o p??blico assiste TV, tem Internet, todos tem um ritmo de vida um pouco mais alucinado.<br />
Fernando -</strong> Com toda a certeza! Inclusive quando agente pensa circo antigamente, se pensa que come??ou com uma pantomima, que ?? uma coisa muito simples. Por que eles n??o tinham r??dio, se pensa Brasil por esse sert??o ai, eles n??o tinham comunica????o alguma. Ent??o, por exemplo, uma simples pantomima, a plat??ia j?? vinha abaixo por que v?? uma representa????o de uma coisa que ?? absolutamente m??gica e que eles n??o tinham acesso a isso. Ent??o, essa plat??ia foi sendo conquistada. Era uma plat??ia virgem mesmo! Hoje em dia, n??o. Voc?? d?? uma virada e diz assim: J?? se passaram 100 anos. A plat??ia entende e embarca naquilo.</p>
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		<title>Bumba-meu-boi</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Aug 2007 22:42:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mateus Faconti</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bonecos]]></category>

		<category><![CDATA[Cultura Popular]]></category>

		<category><![CDATA[Espet?culos]]></category>

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		<description><![CDATA[
O presente post, tem como fonte o livro espet??culos populares do nordeste de Hem??lio Borba Filho, e constitui-se de um resumo do cap??tulo que trata do bumba-meu-boi. O livro trata de uma vers??o do festejo praticado em algumas regi??es do nordeste.
O espet??culo do bumba-meu???boi constitui-se de uma forma de divers??o dram??tica, que se colocam entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/boi_bumba_01.jpg" width="420"></p>
<p><em><strong>O presente post, tem como fonte o livro espet??culos populares do nordeste de Hem??lio Borba Filho, e constitui-se de um resumo do cap??tulo que trata do bumba-meu-boi. O livro trata de uma vers??o do festejo praticado em algumas regi??es do nordeste.</strong></em></p>
<p>O espet??culo do bumba-meu???boi constitui-se de uma forma de divers??o dram??tica, que se colocam entre a dan??a, o jogo, a festa e o teatro. ?? anti-ilusionista, apresentando dissocia????es entre personagens e int??rpretes e um sentido n??o realista.</p>
<p>O festejo ?? uma soma de reisados*, que dada a sua curta dura????o, s??o apresentados em s??rie e sua estrutura????o obedece um ??nico crit??rio fixo: O reisado final ?? o bumba-meu boi.</p>
<p>Praticado em todo Brasil, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, o ???brinquedo??? apresenta diferentes nomes: Boi-Bumb??, Boi-Mam??o, boizinho, Cavalo-Marinho, Boi de Reis, Reisado Cearense, etc&#8230;</p>
<p>Com origens em autenticas formas dram??ticas, como o teatro grego, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9dia_Dell%E2%80%99arte">com??dia dell&#8217;arte</a>, o teatro popular latino e o teatro elisabetano, o espet??culo ?? supostamente, de raiz pernambucana, tendo surgido durante a coloniza????o das terras do Piau??.</p>
<p>Com a com??dia dell&#8217;arte, especificamente, os pontos de liga????o s??o muitos, desde do uso de roteiros (canovacio na com??dia popular italiana) em torno do qual s??o improvisados os di??logos e as lazzi, aos personagens que se assemelham muito: O Doutor, O Fanfarr??o, Os Briguelas, os Palha??os e o Arlequim, este ??ltimo, embora com fun????es difrentes, mant??m o mesmo nome.<br />
<span id="more-98"></span><br />
A palavra bumba, que nomeia o festejo, surge de uma corruptela de &#8220;zabumba&#8221; ou &#8220;bombo&#8221;, mas seu sentido est?? mais precisamente ligado a &#8221; bordoada, pancadaria&#8221;. Isto se deve ao fato de que os divertimentos populares, como mamulengo e o bumba-meu-boi, giram em torno das pancadas, numa reminisc??ncia das velhas farsas populares, desde a com??dia dell&#8217;arte at?? a<br />
com??dia pastel??o do cinema mudo, passando pelas pantomimas de circo.</p>
<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/boi_bumba_02.jpg" width="420"></p>
<p>O bumba-meu-boi, na sua forma????o, lan??ou m??o de todos os elementos do romanceiro, da literatura de cordel, das toadas de pastoril, de can????es populares , de louva????es, de loas, de tipos populares, de assombra????es , do besti??rio, a tudo acrescentando a improvisa????o dos di??logos e as dan??as, na fixa????o do mais importante espet??culo popular, num sincretismo art??stico-folcl??rico-religioso dos mais completos.</p>
<p>Representado geralmente durante o ciclo de natal, o bumba-meu-boi associa-se ??s representa????es que, desde a Idade M??dia, s??o realizadas na ocasi??o e nesse sentido traz reminisc??ncias das manifesta????es europ??ias, tendo inclusive, muitos personagens em comum (obviamente regionalizados).</p>
<p>Na verdade, festas de bois existem, h?? milhares de anos, em diversas culturas, quer de origem pastoril ou religiosa como o Boi ??pis, a vaca ??sis, o touro Mn??ris, o boi Geroa, o boi de S??o Marcos, o touro Guaque ou Huaco, etc&#8230;</p>
<p>O bumba-meu-boi, como espet??culo popular aut??ntico, ?? praticado pelo povo que n??o o enxerga como teatro. Nunca diz-se ???vou representar hoje??? mas ???vou brincar hoje???, empregando, ainda que subconscientemente, a palavra brinquedo no sentido de jogo, que ?? designa????o medieval para o ato de representar.</p>
<p>A representa????o ?? feita em arena, com o p??blico formando uma roda em volta da a????o. Roda esta, que muitas vezes ?? aberta ??s custas de bexigadas do Mateus ou esbarr??es e correrias da Burrinha ou do Boi, at?? que se libere o espa??o suficiente para a representa????o continuar. Al??as, nesse, como em outros espet??culos populares, todos participam do ???brinquedo???, numa fus??o completa de assistentes e atores.</p>
<p>A fun????o dura, normalmente, oito horas(geralmente das 21:00 ??s 5:00hs). Esse longo per??odo de dura????o deve-se mais ?? repeti????o das palavras, cantos e passos do que ao desenvolvimento das cenas. Durante toda a representa????o bebem os ???atores/brincantes??? e bebe o p??blico, numa variante atual das comemora????es de Dion??sio.</p>
<table>
<tr>
<td width="250">
Ainda um outro elemento de aproxima????o com os festejos dionis??acos ?? o uso da m??scaras. Num Boi de Natal, os figurantes usavam m??scaras de bode (animal que se identifica com o deus), ou, no m??nimo, lan??am m??o de maquiagem bem carregada(carv??o ou farinha) que se assemelha ?? mascara. Esta ainda tem a fun????o- como no teatro grego ou brechtiano ??? de utilizar um menor n??mero de int??rpretes em v??rios personagens, pois o bumba-meu-boi tem perto de 48 tipos diferentes.
</td>
<td width="180"><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/boi_bumba_04.jpg" width="180"></td>
</tr>
</table>
<p>N??o h?? atrizes na representa????o. Os pap??is femininos s??o defendidos por homens travestidos. A ??nica exce????o ?? feita para a pastorinha, geralmente uma menina ou mesmo uma adolescente, mas nunca uma mulher feita.</p>
<p>Outro elemento feminino usado no espet??culo ?? a cantadeira, sentada ao lado da orquestra composta de zabumba, ganz?? e pandeiro. ?? a rigor um elemento externo, mas ?? constantemente chamada por Mateus, a mando do capit??o, para cantara as chamadas e sa??das dos personagens.</p>
<p>O ???brinquedo??? ?? assexuado, mas o dinheiro, como a cacha??a, ?? elemento constante. Cada ator faz sua coleta atrav??s de piada, criando uma representa????o ?? parte na ca??a do dinheiro.</p>
<p>Dinheiro, ali??s, ?? uma id??ia fixa no bumba-meu-boi. Dinheiro que se arrecada. Dinheiro que ?? mencionado em todas as cenas (sendo o pagamento realizado com bexigadas), etxc&#8230;</p>
<p>A pobreza da regi??o influi na ???brincadeira??? tanto na sua estrutura como no enredo, sendo eliminados alguns personagens cuja confec????o ?? mais dispendiosa.</p>
<p>Os personagens do bumba-meu-boi podem ser classificados em tr??s categorias: Humanos, fant??sticos e animais.</p>
<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/boi_bumba_03.jpg" width="420"></p>
<p>Personagens Humanos:</p>
<p>Capit??o Boca-Mole ??? ?? o dono da festa e patr??o de Mateus e Basti??o. No inicio vem a p??, mas logo ???monta??? em seu Cavalo-Marinho (arcabou??o de cavalo com um buraco no meio).</p>
<p>Mateus e Basti??o- Negros da fazenda, trazem em suas m??o bexigas de boi cheias de ar, com as quais espancam os demais personagens, ?? sua sa??da.<br />
Basti??o ?? filho de Mateus.</p>
<p>Arlequim- Sempre ao lado do capit??o, faz as vezes de pajem.</p>
<p>Catirina ??? negra despachada e cantadora, que em alguns bumbas, ?? mulher de Mateus.</p>
<p>Pastorinha ??? Dona do Boi.</p>
<p>Tunqunqu??- O Valent??o que termina desmoralizado.</p>
<p>Engenheiro ??? Que com seus auxiliares, vem medir as terras do capit??o.</p>
<p>Padre ??? Que faz casamentos e confiss??es.</p>
<p>Doutor Penico Branco- m??dico que vem tratar do boi</p>
<p>Man??-Gostoso ??? homem em pernas de pau</p>
<p>Entro outros como: Zabelinha, Sacrist??o, Fiscal, Mestre domingos, Mestre do Tear, Romeiro, O Matuto do Fumo, Queixoso, Dona Joana, Caboclo do Arco, Capit??o do Mato, Barbeiro, Jo??o Carneiro, etc&#8230;</p>
<p>Fant??sticos</p>
<p>Caipora- G??nio Malfazejo da mitologia ind??gena.</p>
<p>Diabo- Que leva aos infernos o padre e o sacrist??o.</p>
<p>Babau- Caveira de burro<br />
Man?? Pequenino- Boneco gigante</p>
<p>Jaragu??- Fantasma de cavalo</p>
<p>O-morto-carregando-o-vivo - ator mascarado com um tronco de boneco ?? frente e os membros inferiores tr??s, dando a ilus??o do inanimado carregar o animado.</p>
<p>ANIMAIS</p>
<p>Ema, a Burrinha, a Cobra, o Sapo, o Pinica-Pau e o Boi.</p>
<p><em><strong>* &#8220;representa????es cantadas, consistindo de um s?? epis??dio, que cont??m, sinteticamente, a significa????o completa do assunto&#8221; </strong></em></p>
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		<title>Entrevista com Ricardo Puccetti - Lume Teatro</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jul 2007 23:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<category><![CDATA[Espet?culos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Grupos]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

		<category><![CDATA[Teatro do P?]]></category>

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		<description><![CDATA[
Luis Ot??vio Burnier, fundador do Lume, j?? falecido, afirmou : &#8220;O ator ??, sobretudo e antes de mais nada, preparar seu corpo n??o para que ele diga, mas para que ele permita dizer&#8221;. Quando se fala em trabalho de ator o Lume, grupo surgido e sediado na Unicamp desde 1985, ?? refer??ncia internacional de t??cnicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.teatrodope.com.br/images/post_header_mostra_sesc.jpg" width="430" height="57" border="0" /></p>
<p>Luis Ot??vio Burnier, fundador do <a href="http://www.lumeteatro.com.br/">Lume</a>, j?? falecido, afirmou : &#8220;O ator ??, sobretudo e antes de mais nada, preparar seu corpo n??o para que ele diga, mas para que ele permita dizer&#8221;. Quando se fala em trabalho de ator o Lume, grupo surgido e sediado na Unicamp desde 1985, ?? refer??ncia internacional de t??cnicas preparat??rias da arte de atuar, sempre conciliando o compromisso da pesquisa acad??mica com a busca pelo melho resultado art??stico. Publicamos aqui a entrevista com <a href="http://www.lumeteatro.com.br/exibator_one.asp?codator=2">Ricardo Puccetti </a>realizada ap??s a apresenta????o do espet??culo Kavka dentro da Mostra de Coletivos Teatrais do Sesc - Santos, que ficamos sabendo ser a estr??ia do espet??culo fora de Campinas.</p>
<p><strong>Teatro do P?? - H?? quanto tempo existe o Lume?</strong><br />
<strong>Ricardo Pucceti -</strong> O Lume nasceu em 1985. Ent??o s??o 22 anos. Eu estou no Lume desde o final de 87, eu e o Simi (<a href="http://www.lumeteatro.com.br/exibator_one.asp?codator=1">Carlos Simioni</a>), que fomos do in??cio. O Simi come??ou em 85 mesmo, e eu cheguei 2 anos depois. Quem fundou foi o Simi e o Luis (Ot??vio Luis Burnier). No in??cio era uma coisa bem mais assim&#8230; muitos anos s?? trabalhando em sala, pesquisando. A id??ia era de que fosse um espa??o para entender e estudar o trabalho do ator. Mas com o tempo a gente foi virando isso, como ponto de partida, mas tamb??m viramos uma companhia como as outras. Ent??o tem esses dois lados, por que n??s tamb??m somos ligados ?? Unicamp. Por que o Luis, ele morreu quando a gente fez 10 anos. Ent??o, antes dele morrer, a gente conversava que est??vamos fechando um ciclo dos primeiros 10 anos. Que a gente tinha trabalhado muito em sala, pesquisando e construindo nossa base de trabalho, de treinamento, metodologia de cria????o de cenas e tal. E o ator especificamente, tirado da cena, o corpo dele, a voz dele, as potencialidades dele. E que ir??amos come??ar ent??o a pegar esse material e da?? que teatro que vamos fazer n??? Ent??o nos pr??ximos 12 anos a gente vem fazendo isso. Vem aprendendo e descobrindo a nossa maneira de fazer teatro.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s s??o ao mesmo tempo um n??cleo de pesquisa e s??o um grupo de teatro, e os dois com atividades igualmente intensas.<br />
Ricardo -</strong> Exatamente! A gente trabalha muito, at?? por que a nossa sobreviv??ncia enquanto grupo depende do mercado teatral. Por que a universidade ela nos d?? a sede e a estrutura administrativa. Mas a sobreviv??ncia dos atores, a produ????o dos espet??culos e tudo isso ?? atrav??s do mercado teatral. E sempre foi! Sempre foi muito interessante. A gente sempre gostou disso. Por um lado a gente tinha uma base muito boa que, raramente, grupos conseguem ter. Ent??o temos a sede que ?? um espa??o muito bom pra trabalhar.</p>
<p><strong>P?? - E voc??s t??m uma cobran??a te??rica por parte da universidade?</strong><br />
<span id="more-95"></span></p>
<p><strong>Ricardo - </strong> Da?? tem esse outro lado, que por estar ligado ?? Unicamp, e tamb??m porque o Lu??s ele tinha um pouco isso&#8230; ele queria ir para v??rias dire????es, n??o s?? o ator, o teatro, o ator no teatro, mas tamb??m a coisa did??tica. Como que a nossa experi??ncia poderia servir como est??mulo a outros. N??o como m??todo, ou como uma forma assim&#8230; mas como um catalisador, talvez, de pessoas com mais experi??ncia, para outros com outras experi??ncias, ou para pessoas mais jovens, para que pudessem descobrir o pr??prio trabalho. Ent??o teve esse lado da did??tica. Sempre deu cursos e tal. E tem tamb??m esse lado de sempre refletir teoricamente, ou apenas refletir, sobre a nossa pr??tica, e escrever e tal.</p>
<p><strong>P?? - Voc??s t??m hoje uma s??rie de <a href="http://www.lumeteatro.com.br/pesq_bloc.asp">linhas de pesquisa </a>que est??o, mais ou menos, emancipadas h?? uns 10 ou 12 anos.<br />
Ricardo -</strong> ??, ent??o! Nesses dez primeiros anos agente abriu algumas linhas. E ?? claro que tem uma coisa&#8230; Na verdade, eu sou, talvez, o menos acad??mico de todos. N??o ?? muito o meu interesse. Eu escrevo e tal, mas at?? o jeito de escrever ?? diferente. Ent??o, as linhas de pesquisa, elas foram feitas para falarmos sobre o trabalho. Come??amos a colocar&#8230; isso ?? dan??a pessoal, isso ?? n??o sei o que, todas as linhas, pra poder organizar o pensamento e pra passar tudo isso. No fundo, no fundo, tudo se mistura na pr??tica. Quer dizer, um espet??culo como esse, por exemplo, tem tudo. Das linhas que tem nos livros, est?? tudo ai. S?? que n??o est?? claramente. Na cara. At?? porque os espet??culos da gente cada um tem uma cara diferente, tem est??ticas diferentes. Ent??o, todas essas t??cnicas, essas metodologias, elas n??o implicam numa est??tica ??nica. Ent??o voc?? v?? esse ?? uma coisa, voc?? v?? um espet??culo de palha??o ?? completamente diferente. Um de rua com m??sicas, voc?? pega um butoh e mistura com palha??o, mistura com coisas de mimeses, e etc. Ent??o s??o caras diferentes! Ent??o, essa coisa dos r??tulos, dos nomes, das linhas de pesquisa, servem pra gente explicar por onde a gente transita mais ou menos. Que tipo de ingredientes a gente mistura. Ent??o eu j?? estou no Lume h?? 20 anos, o Simi h?? 22, os outros h?? 15 mais ou menos. Isso tudo, quando agente come??a um trabalho, tudo se mistura. Voc?? n??o fala, agora vou fazer dan??a pessoal pra fazer um personagem, e etc. N??o ?? assim que funciona! Nunca teve essa coisa formal. At?? muito se falou antes, principalmente no in??cio, como a gente tinha esse discurso de que&#8230; ah.. vai pesquisar o ator e a t??cnica e etc, que n??s ??ramos t??cnicos. Agente tem t??cnica, trabalha t??cnica, mas n??o ?? a t??cnica o que nos interessa. ?? como o sapateiro que precisa saber a t??cnica pra fazer o sapato, mas o que importa ?? o sapato. Se vai servir no p?? dele, se estar?? confort??vel. Quer dizer, o que a gente faz com essa t??cnica para chegar no p??blico. Pra dialogar com o p??blico. Esse ?? o nosso interesse.</p>
<p><strong>P?? - Como ?? o acesso ?? pesquisa do momento. Tanto teoricamente, como na pr??tica?<br />
Ricardo - </strong>Tem muitas maneiras! Algumas j?? estabelecidas, por exemplo&#8230; Publicamos uma revista, que ?? normalmente semestral, onde escrevemos sobre o que estamos fazendo, e principalmente sobre o que a gente fez imediatamente antes. A gente faz e depois reflete. Digamos! Ent??o tem a revista, a nossa sede tem biblioteca, tem videoteca aberta ao p??blico, ?? s?? ir l??. Funciona como um setor da universidade. Voc?? vai l?? em Bar??o Geraldo, em Campinas e, estejamos l?? ou n??o, funciona do mesmo jeito. Os cursos s??o um outro modo de acesso. As orienta????es de trabalho para pessoas que nos procuram, grupos, atores, bailarinos, palha??os, pra que orientemos os trabalhos. E tamb??m tem est??gios mais longos, diferentes do curso. Os est??gios s??o assim, por exemplo&#8230; Eu j?? fiquei algumas vezes, nesses 20 anos, com grupos que eu permaneci junto entre 3 a 4 anos. E assim cada um de n??s. No momento, por exemplo, o Jesser (<a href="http://www.lumeteatro.com.br/exibator_one.asp?codator=22">Jesser de Souza</a>), que veio aqui conduzir a viv??ncia, est?? dirigindo um espet??culo de dois anos. A Cris (<a href="http://www.lumeteatro.com.br/exibator_one.asp?codator=3">Ana Cristina Colla</a>) que ?? uma outra atriz, ela dirigiu espet??culos com alunos no ano passado, e ainda continua trabalhando com eles. O Renato (<a href="http://www.lumeteatro.com.br/exibator_one.asp?codator=13">Renato Ferracini</a>) que ?? um outro que est?? orientando um trabalho de pesquisa, misturando atores e bailarinos, ele orientando, tem uma core??grafa orientando. Um cara que ?? um argentino fazendo um trabalho com dramaturgia em cima desses materiais que eles est??o criando. E isso vai virar um espet??culo tamb??m! Mas nem sempre esses est??gios viram espet??culos, ??s vezes ?? pesquisa pura, ?? trabalho de ator, ?? treino&#8230;</p>
<p><strong>P?? - O que ?? o espet??culo ???Kavka????<br />
Ricardo -</strong> O Kavka ?? assim&#8230; Primeiro, eu posso dizer que cada espet??culo nosso vem, como eu falei no final&#8230; Hoje trabalhamos com repert??rio e temos em m??dia 12 espet??culos, e o ponto de partida para cada um deles ?? um impulso, um desejo por parte de quem vai fazer. No caso aqui ?? o meu. Ent??o o Kafka ?? um autor que eu leio desde que eu era adolescente, desde que eu tinha 15 anos. E depois que eu comecei a fazer teatro, depois de alguns anos&#8230; Eu sempre tive na cabe??a que eu queria construir um espet??culo com as hist??rias dele e com a vida dele. Misturando um pouco a obra e vida! Ele tamb??m foi um personagem interessant??ssimo. E a obra dele ?? basicamente autobiogr??fica. N??o de uma maneira clara, mas, de uma maneira po??tica. Mas ele escrevia sobre ele, sobre as experi??ncias dele. Talvez todos n??s fa??amos isso enquanto artistas, e eu acredito nisso. Ent??o eu tento no espet??culo, pegar o Kafka que ?? o Kafka, o Kafka liter??rio, digamos, ele como as figuras da obra, e tamb??m me colocar dentro disso tudo ai. Ent??o, por exemplo, como o ator que faz a????es, e a busca que eu tenho, como ator, de encontrar a a????o precisa&#8230; A????o pode ser tanto f??sica como vocal&#8230; ?? como ele fazia para encontrar a palavra exata. Ele tinha uma grande obsess??o de buscar aquela palavra! Tanto ?? que escrevia, queimava, e nunca parava de criar. E para ele, o que eu acho pessoalmente, o ato de estar fazendo, treinando, criando um espet??culo, e depois de estar apresentando, por que um espet??culo nunca para de se construir e se modificar, por que ele ?? essa rela????o com o p??blico. Essa busca ?? o que me move enquanto ator. ?? como eu consigo me colocar no mundo, dizer coisas pro mundo, usando as palavras do Kafka.</p>
<p><strong>P?? - Era a pr??xima pergunta&#8230; E por que montar? Aonde voc?? acha que se comunica com uma plat??ia? Como voc?? julga essa plat??ia contempor??nea para receber esse grau de ang??stia?<br />
Ricardo -</strong> Certo! Eu vou dizer, falando especificamente desse espet??culo, que ?? uma coisa que&#8230; Como ?? que est?? chegando e como o espet??culo se relaciona com o p??blico ?? meio novo pra mim.</p>
<p><strong>P?? - O espet??culo tem quanto tempo?<br />
Ricardo -</strong>  Estreou dia 26 de abril! Fizemos 12 apresenta????es em Campinas. A gente gosta de estrear por ali, jogar em casa primeiro, antes de sair. Ent??o aqui ?? a primeira vez que a gente saiu. E a estr??ia num contexto completamente diferente, por que agente estreou l?? num barrac??o, mais ou menos do tamanho desse palco todo (do Sesc Santos), e a plat??ia no caso ficavam em arquibancadas muito pr??ximas do ator. Quando eu ia pra frente ficava ?? dois metros do p??blico.</p>
<p><strong>P?? -O espet??culo tem uma proposta mais intimista?<br />
Ricardo -</strong> A proposta ?? fazer qualquer espa??o! Por que, por exemplo, ele tem muitas nuances de voz. Ent??o eu n??o preciso estar projetando a voz pra um espa??o muito grande. Eu posso fazer muito pequeno, muito sutil, tudo mais delicado. Mas eu pessoalmente gosto de ter essa possibilidade de fazer para v??rios espa??os, por que eu tamb??m sou palha??o. Basicamente o meu trabalho ?? com palha??o. E palha??o tem que fazer circo, rua, teatro grande, teatro pequeno, pra crian??a, e etc. Ent??o foi pra mim, como voc?? diz essa ang??stia&#8230; Eu acho que tem uma ang??stia, mas tem uma for??a de vida muito grande no Kafka pessoa, e no Kafka obra, escrito. Por que ele tinha um olho sobre o mundo, ele via o que estava acontecendo no mundo. Como se quase profeticamente ele conseguisse perceber, naquele in??cio de s??culo, pois ele morreu jovem, e ele conseguia ver no desenrolar das rela????es das pessoas, nas rela????es da sociedade, ele conseguia colocar em imagens o que foi acontecendo, sabe? A segunda guerra, a persegui????o aos Judeus, pois ele era judeu, essa mecaniza????o do ser humano, essa homogeneiza????o, essa desvaloriza????o do indiv??duo, essa massifica????o, tudo isso acontecendo ali. E ele testemunhando, meio como que um p??ra-raio e botando na obra de uma maneira linda. Por que n??o ?? chato! Ele ?? extremamente criativo.</p>
<p><strong>P?? - Quando li &#8220;Cem anos de solid??o&#8221;, eu pensei: Eu quero fazer isso que esse cara faz. E Gabriel Garcia Marques, quando leu o Kafka, falou: Eu quero fazer isso que esse cara faz! E justamente no trecho que voc?? citou hoje, que eu acho que ?? um dos melhores come??os de Gregor Samsa ?? quando ele acordou e ele era uma barata. E esteticamente, como ?? o Kafka pra voc???Ricardo -</strong> Bom, pra mim ele era expressionista, eu acho! ?? uma coisa de sombras que tem a haver com o lugar onde ele vivia. Em Praga daquela ??poca, na Tchekoslovakia, na verdade era parte de um imp??rio austro-h??ngaro, n??o era independente, era uma cidade sombria, cinza, um inverno massacrante, as igrejas g??ticas, as ruelas&#8230; ent??o ele era um ser noturno! Ele n??o dormia. O Kafka tinha uma ins??nia terr??vel e ele n??o dormia. Ele tamb??m escrevia a noite. Ele tinha quase que duas vidas, durante o dia era funcion??rio de uma companhia de seguros, extremamente formal, e de noite era o per??odo que ele escrevia. Ins??nia brava, de sonhar e ter pesadelo acordado. Ele diz na biografia, e se fala sobre ele, por isso que eu imagino que o que ele colocou no papel era o que ele vivia nessas noites no quarto dele. Ent??o a id??ia segue por ai, um quarto esteticamente meio estilizado, que ?? um quarto/escrit??rio, em que ele est?? ali vivendo, e a tuberculose lhe atacando&#8230; E uma coisa que eu ia falar antes, sobre o porque eu acho isso interessante&#8230; eu acho que o nosso mundo hoje foi cada vez mais por esse lado que ele viu l??, onde o indiv??duo j?? n??o tem muito mais&#8230; Onde agente tem que ser igual. As pessoas t??m que pensar igual, se vestir igual, serem iguais. E o Kafka, pessoalmente, o que ele fez a vida toda foi explorar e tentar desenvolver um potencial que ele tinha, que era o escrever. Ent??o essa ang??stia dele era por isso. Por que ele conseguia, n??o conseguia. Por que ele se via nesse mundo, que pedia outras coisas pra ele, mas ele queria&#8230;</p>
<p><strong>P?? - Ele faz um elogio ?? individualidade! ?? ??nico&#8230;<br />
Ricardo -</strong> ??! E ?? essa busca dos potenciais. Por que agente ?? diferente! ??, um pouco, de falar sobre as diferen??as.</p>
<p><strong>P?? - ?? at?? uma das bases do Lume!<br />
Ricardo - </strong> Exatamente! ?? um das bases do Lume. Ele vai no ator, e eu sou de um jeito, o outro ?? do outro, e n??o tem um caminho, uma f??rmula que vai servir para todos.</p>
<p><strong>P?? - Uma curiosidade! O que ?? a dilata????o do ator?<br />
Ricardo -</strong> A dilata????o? Eu, por exemplo, quando estou atuando n??o estou de uma maneira que eu estou no cotidiano. Nem agora, que eu estou conversando com voc??s, n??o estou normal. Eu j?? estou falando bastante! E eu n??o sou assim&#8230; Eu sou t??mido, quieto, n??o falo muito. Ent??o a dilata????o ?? o ator seguir regras aqui no palco que n??o s??o as mesmas do cotidiano. Ent??o, por exemplo, voc?? vai parar, no cotidiano voc?? para relaxado, aqui no palco voc?? para diferente. Ent??o voc?? utilizar, por exemplo, um princ??pio t??cnico de um certo desequil??brio, j?? cria uma certa impress??o em quem est?? vendo. S?? o fato de voc?? fazer isso, essa presen??a cresce e ?? percebida de outras maneiras, n??o s?? racionalmente. Mas tamb??m visualmente, energeticamente. Essa palavra que ?? dif??cil, mas existe. Ent??o ?? um pouco isso&#8230; ?? voc?? ter um corpo que siga, que ?? um corpo artificial&#8230; Voc?? n??o anda desse jeito, voc?? n??o faz desse jeito, tem uma tens??o, tem todo um trabalho de coluna, de abd??men, pra te dar uma carga diferente. Ent??o a dilata????o ?? mais ou menos isso!</p>
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