Entrevista com André Garolli da peça “Zona de Guerra”
Publicado por Mateus Faconti em 18 de July de 2007 em Entrevistas, Espetáculos, Eventos, Festivais, Grupos, Teatro, Vídeos.
Transcrição(enxugada) da entrevista concedida em 14/07/2007
André Garolli é ator do grupo Tapa e diretor da Cia. Triptal, que participa do Fit-São José do Rio Preto 2007, com o espetáculo Zona de Guerra.
Você pode falar um pouco sobre o projeto da Triptal, no qual se
insere o espetáculo Zona de guerra?
O projeto chama “Homens ao Mar” e visa montar 4 peças do O´Neill, escritas no começo da carreira dele, entre 1912 e 1919. São eles “Rumo a Cardiff”, “Zona de Guerra”, “ Longa Viagem de Volta Para Casa” e “Luar sobre o Caribe”.
Dentro desse projeto há alguns pontos que a gente gostaria de discutir. Um deles é o universo masculino. Nas 4 peças são os mesmos personagens e na sua grande maioria são masculinos. A questão é: Homens confinados por um longo período de tempo, como
convivem e lidam com isso?
Um outro ponto é o início de uma pesquisa de espaços um pouco mais alternativos, e com isso eu me refiro desde da idéia de um teatro feito na rua, como o feito dentro do palco italiano, mas usando estruturas alternativas desse espaços.
A gente também quer trazer a discussão sobre se o autor, no seu início de carreira, já tem que ser genial. Pois muitos dramaturgos engavetam suas primeiras experiências e desistem da profissão, quando eles só se tornariam grandes se particassem. As peças desse projetos mostram que o O´Neill do começo, não era o O´ Neill do “Longa Jornada Noite Adentro”.
E o quarto tópico, que a gente está começando a desenvolver agora, é a tragicidade no mundo contemporâneo.
E como você sente que estes temas se relacionam com a
contemporâneidade BRASILEIRA?
No Zona de Guerra, por exemplo conta-se a história de um marinheiro que, numa atitude suspeita, muda de lugar uma caixa preta. Isso causa um clima de desconfiança na tripulação, pois o eles estavam, durante a segunda guerra, num navio civil que contrabandeava minução. O clima já era muito tenso. Nesse contexto a atitude desse marinheiro(o da caixa), é tida como a de um espião e ele é quase morto pelos seus companheiros…
O que se relaciona com a questão do terrorismo na atualiadade?
Isso mesmo. Pois hoje, o Bush vai e instala uma guerra preventiva. Isso é uma inversão de valores. O que legitíma a invasão de um país para evitar ser invadido?A ação mais extrema como a primeiro ato, não como o último recurso.
Exatamente, a gente fez uma apresentação na periferia, na qual uma senhora nos falou que se admirava do autor ter escrito esse texto em 1912, pois aqui a polícia nos trata primeiro como culpados, para depois ver se a gente é inocente.
É a política do medo.
É isso aí , a gente estudando viu que a grande ferramenta de opressão e domínio é o medo.
Bom, mudando de assunto, eu vi na ficha técnica de vocês que vocês trabalham com uma série de preparadores: de clown, de movimento, de percepção, etc… Eu quero saber como essas diversas competência trabalham em conjunto na Cia. e como vc como diretor lida com essas influencias? E emenedando no assunto eu pergunto o que permancece desse treinamento no resultado final?
Os atores e os treinadores brincam que o meu papel é o do vampiro. O que eu faço é, pra evitar que eu entre num pocesso muito pré-comcebido, eu chamo esses treinadores pra que eles contribuam com a visão deles do tema. Eles olham o texto pela ótica deles. E nos primeiros três meses eu só assisto. Eu só participo nos dias de discussão.
Então cada um desses treinadores já trabalha a partir da dramaturgia?
Bom, eles trazem primeiro toda a bagagem deles, mas aí eles já vão olhar o que, nesse trabalho, se relaciona com o texto. Por exemplo, no trabalho do clown, a treinadora trabalhou o ridículo de 9 homens com medo de uma caixinha preta. O que fica na peça é o resquício dessas experiências.
E como funciona o treinamento de percepção?
São técnicas de relaxamento, de ouvir o seu eu-interior, de encontar o seu eixo.
Esse trabalho vem tendo uma visibilidade bem legal, vocês estão no festival daqui, estiveram em londrina e em curitiba, ganharam APCA, enfim, como vocês trabalham o projeto do grupo?
Eu acho que uma das discussões mais importantes hoje, é da questão dos meios de produção. Eu acho que a gente de teatro tem que ser objeto de estudos de admisnistração.
A Triptal, começou comigo e com o Wagner Menegari. E a gente trabalhou 13 anos, com eu pondo dinheiro(eu trabalhava como engenheiro mecânico) e a bilheteria primeiro pagava a dívida comigo e depois que a gente começava a dividir, sempre deixando 20 a 30% para o caixa do grupo.
Agora a gente começou a ganhar alguns editais e temos salários, ainda bem insuficientes, mas eu já pago todos os treinadores, a gente tem um local de ensaio fixo. O que temos é uma hierarquia de salários, os mais velhos recebem mais, etc. Então a gente consegue se estruturar para dar o mínimo de condições, pelo menos pro artista não pagar pra trabalhar.
O que a gente faz, também, é ensaiar a noite e sábados e domingos de manhã para permitir que os atores tenham outros trabalhos, pois é uma ilusão pensar que dá pra vivcer com os salários da Cia.
E uma coisa que as pessoas não levam em conta é que eu estou com esse projeto “Homens ao Mar” desde 2003 , eu só fui ganhar um edital em 2006. Durante três anos eu investi, demos o sangue pra uma hora começar a voltar. Por isso não concordo com as pessoas que não ganham e dizem que quem ganhou é por conhece alguém, etc… Eu posso dizer que eu trabalhei pra isso. Eu e o grupo.


Oi..
Gostaria de saber o site da Cia Triptal
Procurei na web e não encontrei..
Obrigada!
Muito sério a questão da política do medo, q. está tão rente às nossas vidas e, muitas vezes, passa batido.
Legal trazer essa questão do medo enquanto ferramenta de opressão e domínio.
“Eu acho que uma das discussões mais importantes hoje, é da questão dos meios de produção. Eu acho que a gente de teatro tem que ser objeto de estudos de admisnistração.”
“Por isso não concordo com as pessoas que não ganham e dizem que quem ganhou é por conhece alguém, etc…”
Adorei a entrevista.
André, acho que nós do teatro devemos ser objeto de estudo de administração e principalmente de economia, que trata da melhor alocação dos recursos, e especialmente no mundo teatral a alocação dos recursos devem ser levadas em conta.
E concordo plenamente que quem ganha é quem luta, e não quem perde tempo achando que quem ganhou foi porque conheceu alguem.
Muito inteligente também a conotação do teu espetáculo, e pensamento denotativo.
Parabéns!
Juares Gomes
olá amigos, estudo Teatro na UFRJ e quero montar um dos textos do O’Neil desse período da dramaturgia dele que se chama CICLO DO MAR, alguém poderia me dizer como eu consigo os textos: LUAR SOBRE O CARIBE e o ZONA DE GUERRA? abraços,Thiago Paciência.
Meu e-mail é thiagopaciencia@gmail.com
otimo e eu e alguns amigos vamos tirar desse tema uma peça mimica para um seminario da escola ai nos vamos construir esta mesma peça mimica valew brigadão
No site http://www.eoneill.com em “Library”, se ñão me engano, tem todas as peças no original.
olá…gostaria de email ou telefone de um ator da cia triptal… seu nome é Kalil Jabbour e não estou conseguindo localizá-lo…
grata