“Há que junto com o cordel
sempre tem uma figura,
o que danada é essa imagem
chamada xilogravura?”

Costuma-se associar o folheto à ilustração em xilografia que aparece em sua capa. Mas estas ilustrações são relativamente recentes. De iní­cio, o folheto apresentava na capa apenas a indicação da autoria, o tí­tulo e um ou outro ornamento tipográfico. Na contra capa, vinha o endereço do autor, que quase sempre era também o vendedor de seus folhetos. As capas dos folhetos são tingidas em tons de verde, amarelo, rosa e azul e trazem uma xilogravura ““ resultado da impressão feita com uma espécie de carimbo talhado numa matriz de madeira. A técnica já era conhecida na antigüidade e foi utilizada na Europa no século XV para ilustrar cartas de baralhos e imagens sacras. De lá veio para o Brasil em 1808, com a Imprensa Real Portuguesa. No nordeste, a arte alcançou tamanho destaque que muitos xilogravuristas se tornaram famosos tanto quanto os autores dos versos. Artistas como os pernambucanos J. Borges e Silva Samico que são conhecidos em todo o mundo. O primeiro, apontado como um gênio da arte popular, já percorreu vinte paí­ses europeus, onde ministrou oficinas e palestras sobre xilogravura e cultura do cordel com ajuda de tradutores. Já Samico foi professor de xilogravura na Universidade Federal da Paraí­ba e teve 200 peças de sua produção reunidas em exposição na pinacoteca de São Paulo, em setembro de 2004.

“E quais são os grandes temas
e os melhores autores
desta arte tão ferina
que não poupa nem doutores?”

“O cordel foi e continua sendo uma das formas de comunicação mais autênticas nas pequenas cidades na região nordeste “- explica a escritora Clotilde Tavares. Assim que um fato relevante acontece “ como a vitória do Brasil em uma copa do mundo, a morte de alguém famoso, uma grande enchente ou mesmo um caso de adultério “ os cordelistas produzem um relato extra oficial, popular e poético dos fatos. Em poucas horas, o livreto é impresso, ilustrado e colocado à venda em feiras, pendurados em cordões. Daí­ vem o nome : Literatura de Cordel. O leitor, no entanto, se refere ao livreto como folheto ou verso de feira.”

“E na escola, seu mestre
o que é possí­vel fazer
com os alunos curiosos
para o cordel aprender?”

Outro papel importante exercido pela literatura de cordel diz respeito à sua função como auxiliar de alfabetização. Sabe-se que incontáveis nordestinos carentes de alfabetização aprenderam a ler por meio de folhetos. E, desta forma, cresce, gradativamente, o interesse de estudantes e educadores, em todo o Brasil, pela literatura de cordel para este fim e das muitas maneiras como o folheto pode ser utilizado em sala de aula.

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Néya Maciel, graduanda do segundo ano do curso de Letras pela CEULAR (Centro Claretiano) em Batatais-SP, iniciou sua pesquisa sobre a Literatura de Cordel em 2006, a qual pretende utilizar como tema de seu TCC em 2008, sugerindo que o Cordel não é somente um folclore popular, divulgando assim sua história, seus representantes e a evolução desta modalidade literária.